O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou esta terça-feira a Maputo, para uma visita de Estado de quatro dias com agenda cheia e transversal, dedicada a temas como a economia, cooperação, educação e cultura.

O Presidente da República e comitiva aterraram no aeroporto internacional de Maputo às 07:10 (6:10 em Lisboa), vindo de Lisboa, de onde partiu às 19:10 de segunda-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha à sua espera o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi, e foi recebido com honras militares e danças tradicionais moçambicanas.

Do aeroporto, Marcelo Rebelo de Sousa seguiu para o Hotel Polana e terá, a meio da manhã, como primeiro ponto de agenda oficial, uma visita ao Centro de Formação Profissional de Metalomecânica.

Para as 11:30 locais está marcada uma visita ao Centro de Formação Profissional de Metalomecânica, deslocando-se uma hora depois às instalações da Cooperação Técnico-Militar.

O chefe de Estado português almoça com os militares portugueses da Cooperação Técnico-Militar e depois, às 15:00, visita o empreendimento da Promovalor/Mota-Engil, localizado na Avenida Julius Nyerere.

A agenda oficial deste primeiro dia em Moçambique de Marcelo Rebelo de Sousa termina com um jantar com os funcionários da Embaixada de Portugal.

O programa da visita de Estado termina na sexta-feira, com o chefe de Estado português a viajar para Portugal no próximo sábado.

A visita do Presidente da República português a Moçambique acontece numa altura de tensão político-militar entre o Governo da Frelimo e a Renamo e de polémica sobre o endividamento público.

 

Marcelo diz-se pessimista com o contexto global e preocupado com a Grécia

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se pessimista face ao quadro europeu e ao contexto global, apontando a situação da Grécia como uma das preocupações.

Numa conversa com os jornalistas, durante o voo de Lisboa para Maputo, em que não quis falar de Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "o mundo não está fácil e que a Europa não está fácil" e declarou-se "pessimista, no quadro europeu, no quadro global".

Segundo o chefe de Estado português, a Europa enfrenta neste momento "um acumular de preocupações", entre os quais a situação da Grécia, sobre a qual afirmou: "Não é verdade que tenha sido pedida de cimeira extraordinária, mas há uma suspensão dos contactos institucionais e isso merece acompanhamento e preocupação".

Marcelo Rebelo de Sousa mencionou como outros motivos de preocupação a desaceleração da economia norte-americana, as notícias vindas da Síria e da Líbia e as diferentes visões entre Leste e Sul da Europa sobre as prioridades de segurança e defesa da União Europeia.

O chefe de Estado referiu também que "as economias europeias não estão a crescer muito", advertindo para o impacto que isso poderá ter nas exportações portuguesas: "Podemos ter problemas".

Neste momento e nos próximos tempos, há evoluções que nós não controlamos e que podem, de facto, criar contextos complicados", reforçou.

O Presidente português salientou ainda que vai haver "muitas eleições na Europa em pouco tempo": legislativas em Espanha, o referendo no Reino Unido sobre a permanência na União Europeia e os atos eleitorais de 2017 em França e na Alemanha.