O Presidente da República revelou hoje que solicitou ao secretário-geral das Nações Unidas a organização até final do ano de uma reunião internacional para colocar "pressão" sobre os atores políticos da Guiné-Bissau para preservarem a estabilidade.

"Solicitei ao secretário-geral [das Nações Unidas] a organização até ao fim do ano de uma reunião do grupo de contacto internacional, para colocar pressão sobre os atores políticos guineenses no sentido de trabalharem em conjunto para resolver os problemas do país, para preservar a estabilidade política, para levarem por diante as reformas no domínio da segurança, da justiça e daquelas que são necessárias para o desenvolvimento económico do país".


Cavaco Silva, que falava aos jornalistas portugueses em Nova Iorque, no fim de uma visita no âmbito da abertura da 70.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, revelou que o pedido foi feito durante o encontro que manteve com Ban Ki-Moon na segunda-feira.

Sublinhando a importância de não voltarem a ocorrer golpes de Estado como no passado, Cavaco Silva considerou fundamental "convencer Presidente da República, Governo e parlamento a trabalharem em conjunto para resolverem os problemas da Guiné-Bissau".

"Solicitei o empenho do secretário-geral para que a comunidade internacional não esqueça a Guiné-Bissau", acrescentou.

Além disso, continuou, na reunião internacional, outro dos assuntos que deverá ser debatido é utilização dos recursos financeiros que foram colocados à disposição da Guiné-Bissau na conferência de doadores que se realizou em Bruxelas.

"Portugal a nível bilateral é um dos maiores doadores com 40 milhões de euros", enfatizou o Presidente da República.
 

Cooperação com Timor-Leste na Justiça deverá passar por consultorias


O Presidência da República disse hoje que deverá ser possível retomar "não daqui a muito tempo" a cooperação na área da Justiça com Timor-Leste, agora através de consultoria.

"É possível que não daqui a muito tempo a cooperação na Justiça possa avançar através de consultoria e não através de magistrados que realizem julgamentos de timorenses", adiantou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma visita a Nova Iorque, onde se deslocou no âmbito da abertura da 70.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Referindo-se ao encontro que manteve na terça-feira com o primeiro-ministro de Timor-Leste, Rui Maria de Araújo, o Presidente da República revelou que o retomar da cooperação na área da Justiça foi um dos principais assuntos em debate, "depois dos problemas conhecidos que ocorreram no passado".

O Governo de Timor-Leste ordenou em novembro do ano passado aos serviços de migração a expulsão dos funcionários judiciais internacionais em 48 horas, incluindo cinco juízes, um procurador e um oficial da PSP de nacionalidade portuguesa.

No início de julho, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, tinha revelado que Portugal e Timor-Leste estavam a negociar um novo protocolo para a cooperação judicial, que incluiria "renovados pressupostos" para garantir que a expulsão de magistrados portugueses "não volte a repetir-se".

No encontro com Rui Maria de Araújo, continuou o chefe de Estado, foi igualmente falada a questão da expansão das "escolas de referência" e a difusão da língua portuguesa.

"O primeiro-ministro está muito empenhado no reforço das escolas de referência", disse Cavaco Silva, considerando que esse é um passo muito importante para a consolidação da língua portuguesa em Timor-Leste.