O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, lamentou esta quinta-feira que a campanha para as eleições presidenciais tenha estado "desaparecida" e teme que já seja tarde para esclarecer devidamente os cidadãos.

A acompanhar a candidata presidencial Maria de Belém numa visita à Unidade de Saúde Maria José Nogueira Pinto, em Cascais, Santana Lopes sublinhou que "não basta a fotografia ou o currículo".

"O único lamento a fazer é que a campanha para as presidenciais esteja um pouco desaparecida. Coitados, os candidatos podem andar no terreno, não se sabe, mas como tem havido outros temas que são conhecidos a campanha das presidenciais desapareceu um pouco do mapa e isso é pena, porque as pessoas devem votar com o máximo esclarecimento possível", afirmou o antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD.

"É preciso também saber os seus propósitos, de todos e de cada um deles, e isso não tem sido fácil, vamos ver. Mas agora também vem o Natal? Não vai ser fácil", lamentou.


Para um esclarecimento adequado, Santana Lopes considera que já é tarde, mas "mais vale tarde do que nunca", disse.

"Não se deve eleger as pessoas só por simpatia, nem para esse cargo, nem para nenhum. É preciso saber o que pensam e o que se pode passar no futuro e sabe-se pouco, ainda", concluiu.


Santana Lopes, que chegou a anunciar uma candidatura presidencial da qual depois desistiu, sublinhou ainda que estar presente numa ação de campanha de Maria de Belém não tem nenhum significado especial, é uma questão de "educação e simpatia" por ser numas instalações que pertence à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Maria de Belém reconheceu também que a campanha presidencial foi abafada pela "turbulência política".

"Acho que houve uma fase em que só se falava de Governo e não havia nenhuma relevância das eleições presidenciais, que estão aí à porta, e acho que o facto de agora haver estabilidade política desse ponto de vista vai permitir que as presidenciais regressem à ordem do dia e obtenham a atenção mediática que merece", afirmou.

No entanto, sublinhou a candidata, "se esse período de turbulência escondeu as presidenciais, é certo que também chamou a atenção do perfil que vai ocupar o cargo".

Sobre o facto de já ser tarde para esclarecer os cidadãos, Maria de Belém acredita que ainda há tempo, "se houver justiça no espaço mediático atribuído a cada candidato, capacidade de fazer campanhas que cheguem às pessoas e recetividade", e alertou para uma eventual "fadiga eleitoral".

"O facto de os dois atos eleitorais serem tão próximos, poderá causar alguma fadiga eleitoral, fadiga na participação dos atos eleitorais, mas esperemos que assim não seja e temos o Natal para retemperar a força das pessoas", concluiu.

Sobre a "turbulência politica" governamental que apontou, Maria de Belém disse já estar ultrapassada e acredita que "haja estabilidade e tranquilidade".