O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio escusou-se a fazer previsões sobre o seu futuro político uma vez que está dependente também das circunstâncias, reiterando que as decisões têm que ser devidamente ponderadas e maturadas.

No final da apresentação do livro "Rui Rio - Raízes de Aço", da autoria de Carlos Mota Cardoso, no Porto, o social-democrata foi questionado pelos jornalistas sobre uma eventual candidatura a Belém nas próximas eleições, tendo afirmado, diversas vezes, estar dependente dele próprio "mas também das circunstâncias".

"Agora as coisas têm que ser devidamente ponderadas, devidamente maturadas e acima de tudo repito, porque é muito importante, as circunstâncias que nos vão rodear. Não há pessoas muito boas para um dado lugar e pessoas muito más para um dado lugar. Há pessoas que são adaptadas em determinadas circunstâncias e noutras circunstâncias não. É assim na vida para tudo e isto não foge às regras", disse, perante a insistência dos jornalistas.

Rio tinha começado por citar Carlos Mota Cardoso que explicou muito bem que "o homem, ou a mulher, é ele e a sua circunstância".

"Ele domina o seu eu mas depois as circunstâncias vão moldando o destino das pessoas", disse, acrescentando que não sabe prever o futuro.

O ex-presidente da Câmara do Porto anuiu que "vai haver uma altura própria em que se vão sentir as circunstâncias", sublinhando que as perguntas feitas são sobre uma eleição para a qual "ainda faltam muitos meses".

"Há muitas pressões, é verdade. A começar por vocês [jornalistas], que estão aqui muitos e que sempre que me apanham fazem sempre a mesma pergunta", afirmou.

Rio usou ainda o humor para responder às perguntas: "relativamente ao futuro a resposta deve ser dada por um vidente, uma cartomante, não por mim. Sou mais do género, como dizia um antigo jogador do Futebol Clube do Porto, previsões só no final do jogo".

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel, a quem coube a apresentação do livro, disse no discurso que Rui Rio é uma das suas grandes referências políticas e foi mais longe: "Estou certo que é e vai continuar a ser uma das grandes referências políticas dos portugueses".

Rangel destacou ainda que o ex-presidente da Câmara do Porto é um homem capaz de gerar compromissos e consensos e de ceder e de conceder "em sede própria, na sede da política".

O eurodeputado do PSD destacou a densidade humana, a simplicidade, a sobriedade e genuinidade de Rui Rio, considerando que sendo um "político de exceção, é um homem normal".

Já Mota Cardoso disse não saber qual o futuro de Rui Rio - aliás como acredita que o próprio não sabe - evidenciando que o facto de ser um homem de ação faria dele "utilíssimo no executivo", mas, por outro lado, "o seu perfil ético e a força contagiante da sua palavra também o apetrecham para a liderança do Estado".

"De resto, Portugal precisa urgentemente de um banho de ética, de honra, de integridade", disse o autor.