Do outro lado da península o líder do Podemos gostava de ter uma solução idêntica à que resultou em Portugal depois das legislativas; desavindo com o PSOE deu um salto a terras lusas para apoiar a amiga Marisa Matias.

Foi a estrela da tarde deste sábado no cinema S. Jorge, a abarrotar. Pablo Iglesias desfiou os elogios à candidata no trabalho feito no Parlamento Europeu e em causas internacionais, como a defesa do povo da Palestina.

Pablo Iglesias afirmou que a politica precisa de “gente normal, gente preocupada com as pessoas”. Falou de uma mudança na sociedade europeia que não pode parar e deu o exemplo da investida do Podemos, partido estreante no parlamento espanhol: “Esta semana, estreámo-nos no parlamento e havia muito incómodo. Alguns diziam que tínhamos o cabelo muito comprido, que tínhamos piolhos, que cheirávamos muito mal, e na realidade o que estavam a dizer era que o seu tempo estava a acabar porque a presença de gente normal, gente que se veste como as pessoas da rua, está a fazer velha uma classe política que, independentemente do partido, são todos o mesmo. (...) há mudanças a acontecerem na Europa que não se podem parar.”

Falou, ainda, dos interesses instalados que precisam de ter um fim e defendeu, também por isso, que é hora de escolher uma presidente. O líder do Podemos diz que a mudança está a ser feita por mulheres em Espanha e quando volta a Marisa diz: “as pessoas normais andam, ela avança.”

A meio do comício apareceu Helena Roseta, juntou-se no palco ainda a tempo de aplaudir o discurso da candidata; no fim a deputada eleita pelo PS explicou aos jornalistas que escolheu Marisa Matias porque não faz cálculos, diz o que pensa com frontalidade: ”E eu já estou farta de políticos que fazem muitas contas, agora tirem daqui as conclusões que quiserem.”

Helena Roseta recordou ainda que era “a única deputada constituinte no palco” e porque Marisa Matias tem defendido sempre a Constituição continua: "Há uma Constituição económica não escrita. O próprio Manuel Alegre em campanhas anteriores falou disso. A Marisa Matias tem toda a razão.”

Marisa Matias, a candidata que juntou as 1.200 pessoas, voltou a bater-se pela Constituição; voltou à carga com os buracos do BES e do Banif e insistiu que a última semana de campanha não é uma fatalidade. A candidata do BE quer que a” mudança iniciada a 4 de outubro não pare em Belém.
 
Numa tarde fria, mas calorosa no apoio a Marisa Matias, todos juntos desfilaram pela baixa lisboeta.

Agora a semana é de esforço, à procura de contrariar as tendências das sondagens.