A chuva não impediu Marcelo Rebelo de Sousa de chegar a tempo do quarto de hora académico em Coimbra. Sem grandes atrasos, e depois de uma manhã passada em Santarém, o candidato presidencial começou o último dia da pré- campanha eleitoral bem disposto e com imponderáveis.

Logo em Santarém, a pastelaria onde marcou encontro era mesmo pertinho da sede da campanha do adversário Sampaio da Nóvoa. 

Já em Coimbra contou, bem disposto, o episódio. Foi logo no arranque do almoço com voluntários, pais e amigos e pessoas com deficiência mental, na Casa de Chá da APPCDM Coimbra:

"Em Santarém, tive um episódio engraçadíssimo. Passei à porta da sede do doutor Sampaio da Nóvoa e disseram-me: você não entra aqui!"


Depois, tocou no nome de outro adversário presidencial, Edgar Silva, que elogiou, dizendo que é uma pessoa com "grande experiência".

Vinho tinto na mesa, foi o próprio Marcelo quem serviu os presentes que o rodeavam, numa mesa que, no total, tinha menos de 25 pessoas.

"Eu não posso beber muito, senão a campanha começa logo mal", gracejou, mostrando contentamento pelas entradas: "Eu adoro queijo".
 
A APPACDM apoia 900 pessoas com deficiência mental. Alguns deles foram os cozinheiros de serviço e ajudaram a servir à mesa, sempre prestáveis. Outros, juntaram-se ao candidato no manjar. 

Marcelo usou uma expressão da cidade de onde é natural, para elogiar o trabalho de todos eles: 

"Como lá em Braga dizemos, fiquei banzado"


Tratou todos os presentes sempre pelo primeiro nome e saiu de barriga cheia: "Foram servindo, servindo, fomos comendo, comendo, só o Carlitos comeu mais do que eu", brincou. 

Barriga cheia, mas futebolisticamente só. A visita acabou como começou, com futebol. Eram todos do Benfica. "Não há gente do Braga aqui!".

Nem tudo é perfeito e Marcelo, antes, e a propósito da diferença que a sociedade foi incutindo ao longo dos anos em relação às pessoas com deficiência, defendeu que "somos todos importantes". "A grandeza da vida é descobrirmos aquilo em que somos bons". Em terra de estudantes, falou o professor que quer ser Presidente.

Há muita estrada para correr nos próximos dias e até Belém. O candidato tem fôlego? 

Na Fundação Beatriz Santos, uma associação privada com fundos públicos, dedicada à natação e a cuidados continuados para idosos, Marcelo encontrou um casal de idosos em cadeira de rodas, casados há 70 anos.

"Diga-me lá baixinho que idade tem, dona Maria Gracinda?". A resposta foi a alto e bom som: 88. 

"Ui, já não chego a essa capicua. Estas campanhas matam-me!".