A sala está cheia. São utentes do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, em Ílhavo. Sentados, ouvem com atenção as explicações da candidata presidencial. Marisa Matias não é estranha ao lar de idosos. Já por aqui passou outras vezes, a sua cara está em fotografias na parede e num vídeo que é mostrado ao início da visita.

Marisa vem para ver, não só para ser vista. Naquela sala cheia de vida, apesar dos muitos anos que se contam entre todos os ali vivem, há vontade de participar e ser ativo e por isso se atiram perguntas, umas atrás das outras. Marisa responde sobre educação, saúde ou salários. Se as dúvidas são reais ou ensaiadas para a presença mediática nem importa porque entre todas aquelas vozes ouve-se o impensável, num país europeu.

Vários utentes dizem que por vezes receiam viver muito mais. Porque não sabem que custos isso terá. Porque não sabem se podem pagar a vida. Porque ouvem nas notícias os políticos falarem na sustentabilidade da segurança social. Porque têm medo da incerteza que está pela frente. E que resposta se dá a isso? No Portugal do século XXI há quem agora tenha medo de viver, porque quer mais do que simplesmente esperar a morte.

Neste centro comunitário do concelho de Ílhavo há um lema que é também uma missão: "multiplicar a felicidade". Aqui... ali já se realizaram sonhos quase impossíveis, os que muitos tinham para cumprir antes de não o poderem, aqui... ali já se fizeram vídeos como o de uma versão do polémico videoclipe de "Wrecking Ball" de Miley Cyrus, mas com idosos, aqui... ali mobilizaram-se para distribuir abraços grátis na baixa do Porto. Mas aqui... ali vive quem tem medo de viver porque teme Portugal e o que ele lhes pode fazer.