O antigo primeiro-ministro José Sócrates disse, este domingo, que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República significa uma candidatura de “Cavaco Silva 2” e afirmou estar farto de “farisaísmo político”.

Durante a sua intervenção num almoço organizado pelo movimento cívico "José Sócrates, Sempre", em Vila do Conde, o ex-primeiro-ministro sublinhou que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa é “a candidatura daquele que foi um dos principais conselheiros de Cavaco Silva”, ou seja, significa “uma candidatura de ‘Cavaco Silva 2’”.

Recebido com palmas e gritos de apoio no restaurante onde marcaram presença figuras socialistas como o ex-ministro Fernando Gomes, o presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, ou o antigo líder distrital do Porto Renato Sampaio, Sócrates sublinhou nunca ter gostado “desses que procuram disfarçar de onde vêm, porque esses que têm vergonha de si próprios ou do seu próprio passado ou da sua própria linha política, esses nunca estarão bem consigo próprios”.

O antigo governante realçou ainda que “Marcelo Rebelo de Sousa não é António Guterres”, rejeitando qualquer comparação que possa ser feita entre os dois políticos.

Com a presença de centenas de apoiantes, que diversas vezes lançaram insultos aos jornalistas, José Sócrates abordou o que disse terem sido duas reações à sua entrevista televisiva esta semana: a publicação de um trabalho pela revista Sábado sobre o seu filho, que o levou a dizer que há "atos tão repugnantes que só convidam ao silêncio" e a de “um procurador da República (…) que disse que o problema é que o processo que está em curso é o processo cuja origem está nos factos ilícitos que José Sócrates cometeu” e, assim, ignorando “o princípio da presunção da inocência”.

Na sexta-feira, a defesa de José Sócrates havia anunciado que considerou que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), António Ventinhas, violou o dever de segredo e que iria ser feita uma participação à procuradora-geral da República.

No entender da defesa de Sócrates, Ventinhas produziu algumas considerações “caluniosas”, que “ultrapassam largamente os limites da ação sindical e do que é tolerável: imputou ao Senhor Engenheiro José Sócrates o cometimento de atos ilícitos, reconduziu o processo em que foi constituído arguido a uma espécie de luta entre ‘polícias e ladrões’”.

“Mas estes senhores pensam que eu vou permitir que isto se passe sem reparo? Mas ninguém diz nada? Mas está toda a gente a fingir que não ouve? Mas estará o país tão distraído que pensam que ninguém os está a ouvir?”, questionou o antigo governante.


Sócrates sublinhou que fala publicamente por uma só razão: “Se quem me sujeitou à prisão injusta acha que eu me ia remeter ao silêncio e não fazia aquilo que um cidadão deve fazer perante a injustiça que é defender-se e denunciar os abusos, estão equivocados.”