O anunciado candidato à Presidência da República Sampaio da Nóvoa recusou hoje comentar o acordo de coligação para as legislativas entre a atual maioria PSD e CDS-PP, preferindo excluir-se da "luta partidária".

"Vou tentar fazer uma campanha pela positiva. Vou propor ideias às pessoas. Não vou entrar nos pequenos casos, pequenos episódios. É um assunto que não merece comentário. O que terei a dizer é dirigir-me aos portugueses com um conjunto de ideias e propostas sobre o que penso que deve ser o Presidente da República e por que me candidato. São assuntos de outro foro, do domínio dos partidos, da luta partidária. Não vou interferir nesse tipo de assuntos", disse, após encontro com o economista francês Thomas Piketty, num hotel lisboeta.


O antigo reitor da Universidade de Lisboa vai dar uma conferência de imprensa na quarta-feira, pelas 19:30, no Teatro da Trindade, para se apresentar formalmente na "corrida" ao Palácio de Belém, sucedendo a Cavaco Silva. A mesma data foi escolhida por sociais-democratas e democratas-cristãos para reunir os seus órgãos dirigentes com a coligação em cima da mesa.

Sampaio da Nóvoa elogiou a obra de Piketty, mostrando-se favorável às suas teorias de necessidade de maior "harmonização fiscal" ao nível europeu.

"É uma pessoa que tem pensado muito bem as questões da economia, da Europa e tem alertado para um conjunto de temas absolutamente centrais para governar as sociedades do século XXI", afirmou.


Segundo o candidato a Presidente da República, a principal conclusão da reunião com o autor de "O Capital no Século XXI" foi a "necessidade de haver uma muito maior concertação, sobretudo na zona euro, e políticas muito mais inteligentes do que as que nos conduziram a esta crise, políticas mais organizadas e estruturadas, de combate a esta situação de grande dificuldade económica em que todos estamos".

"Todas as questões que dizem respeito à harmonização da política fiscal, sobretudo no que diz respeito aos rendimentos das grandes fortunas e grandes sociedades multinacionais", vincou, uma vez que as mesmas serão "muito difíceis de fazer apenas no plano nacional".


Antes, o autor gaulês e o secretário-geral do PS, António Costa, recusaram a austeridade como modelo para promover a competitividade e reduzir a dívida, apontando o dedo a Alemanha e França pela situação no sul da Europa, num encontro na sede socialista.

Piketty esteve também hoje reunido com o dirigente do partido LIVRE Rui Tavares. A nova força política vai concorrer às eleições legislativas juntamente com o movimento cidadão Tempo de Avançar.