A apresentação oficial da candidatura de Sampaio da Nóvoa às presidenciais do próximo ano está a decorrer perante uma plateia de mais de 450 pessoas, no Teatro da Trindade, em Lisboa. A cerimónia conta com a presença dos antigos presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio, a quem o ex-reitor da Universidade de Lisboa agradeceu no seu discurso.

"Quero agradecer a presença do Dr. Mário Soares e do Dr. Jorge Sampaio a quem reconhecemos um legado de luta pelas causas sociais e pela liberdade."


O candidato a presidente da República elogiou a "herança" deixada pelos dois antigos chefes de Estado e defendeu que, em 2016, também é possível "fazer a diferença".  "Juntos podemos fazer a diferença."

Sampaio da Nóvoa teceu duras críticas à atual situação do país, numa alusão à linha de austeridade seguida nos últimos anos.

"Que política é esta, sem uma única ideia de futuro para Portugal, que país é este que parece sem vontade, sem pensamento e sem rumo".


O ex-reitor lamentou depois que, após os anos de crise, se anuncie "mais crise, uma crise crónica que priva os cidadãos do futuro, que os faz desconfiar das instituições e da capacidade do Estado democrático para defender o bem público e o interesse coletivo".

"Não podemos perder o país que conseguimos levantar nas últimas décadas, não podemos deixar que a crise se normalize, se eternize, e que deite por terra 41 anos de democracia, destruindo um a um os ideais de Abril."

“É em nome desse outro projeto, desse outro destino que venho aqui, hoje, declarar-vos solenemente, e declarar a todo o país que sou candidato a Presidente da República portuguesa."


Por isso, Sampaio da Nóvoa deixou uma promessa ao eleitorado: não se candidata para deixar tudo na mesma e não assistirá "impávido” à degradação da vida pública.

"Não venho para deixar tudo na mesma. Venho para juntar os portugueses em torno de um projeto de mudança, para restaurar a confiança na nossa democracia e no nosso futuro, com esperança, com determinação, com a coragem que os portugueses sempre revelaram nos momentos mais difíceis da sua História. [...] Não serei um espectador impávido da degradação da nossa vida pública."


O ex-reitor assegurou sentido de responsabilidade e isenção se for eleito chefe de Estado.

"O Presidente da República tem de restaurar a confiança dos portugueses no Estado de Direito, nas instituições, na autoridade moral e na credibilidade de quem desempenha um cargo público. Tudo farei para reforçar a democracia, para estimular governos e oposições a cumprirem as suas funções com sentido reformista e de Estado, para consolidar a cooperação institucional, para promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública."


À entrada para a sessão, Mário Soares e Jorge Sampaio foram saudados com salvas de palmas.

Jorge Sampaio disse aos jornalistas que a candidatura de Sampaio da Nóvoa é “salutar para a democracia” e que “pode significar uma renovação para a vida política portuguesa”.

O antigo Presidente da República destacou que Sampaio da Nóvoa, antigo seu colaborador em Belém, é “um democrata”, uma pessoa “capaz de diálogo, de fazer pontes” e de “capacidade de cooperação institucional”.

Pela parte do PS, chegaram já os deputados socialistas Jorge Lacão e Elza Pais, o líder da concelhia do PS/Lisboa, Duarte Cordeiro, os ex-ministros como Mário Lino, António Mendonça, António Pinto Ribeiro e João Cravinho, e o antigo secretário de Estado Vítor Ramalho.

Estão presentes a jornalista Maria Antónia Pala (mãe do secretário-geral do PS, António Costa) e o seu marido, Manuel Pedroso Marques, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço e ex-deputado socialista Raimundo Narciso.

Do meio da cultura, destaca-se a presença de Lídia Franco.