António Sampaio da Nóvoa considerou esta sexta-feira, no primeiro debate televisivo entre candidatos presidenciais, que a solução adotada para o Banif foi "a menos má", mas Marisa Matias rejeitou-a, afirmando que não teria promulgado o Orçamento Retificativo.

Neste frente a frente, transmitido na RTP,  com a duração de 25 minutos, os dois escusaram-se a antecipar o que farão se o Governo do PS ficar novamente sem o apoio dos partidos que o suportam no parlamento - BE, PCP e PEV - como aconteceu com o Orçamento Retificativo, viabilizado com a abstenção do PSD.

No início do debate, questionados sobre o que os distingue, Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa não apontaram nada em concreto. Depois, interrogados sobre a solução adotada para o Banif, manifestaram divergências.

"Julgo que esta foi a menos má das soluções", disse o antigo reitor. "Eu não concordo que essa solução seja boa", contrapôs a eurodeputada do Bloco de Esquerda (BE), discordando que se continue a "ir buscar dinheiro aos contribuintes".

Marisa Matias adiantou que se fosse Presidente "não promulgava" o Orçamento Retificativo apresentado na sequência do resgate ao Banif e referiu que na União Europeia têm sido adotadas medidas de resolução diferentes, mas não especificou qual a solução que preconiza.

Para além desta divergência, a eurodeputada do BE demarcou-se do exercício de funções presidenciais de António Ramalho Eanes, que apoia Sampaio da Nóvoa e que este aponta como uma das suas referências. Por sua vez, o antigo reitor da Universidade de Lisboa realçou o facto de não ser "um candidato apresentado por um partido".

Sobre Ramalho Eanes, Marisa Matias afirmou: "Devo deixar claro que não me revejo no modelo preconizado por Ramalho Eanes, que enquanto Presidente independente usou as suas funções para criar um partido político nessa altura".

O jornalista moderador do debate, José Rodrigues dos Santos, observou: "No seu caso, já tem um partido político".

Mais à frente, foi Sampaio da Nóvoa quem se referiu ao facto de Marisa Matias ser a candidata do BE às presidenciais.

"Uma candidatura apresentada por um partido político, como é o caso da sua candidatura, é totalmente legítima, e não tem nem mais nem menos legitimidade do que a minha. Agora, são candidaturas diferentes. Há uma marca de diferença na maneira como esta minha candidatura é apresentada", considerou o professor universitário.

Sampaio da Nóvoa acrescentou que tem a certeza de que numa segunda volta das eleições presidenciais os dois estarão "juntos em torno de uma candidatura" contra Marcelo Rebelo de Sousa, a quem se referiu como "o candidato de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas".

Estes dois candidatos da área da esquerda declaram-se a favor da solução de governação atual, assente em acordos entre o PS e os partidos à sua esquerda, e subscreveram totalmente a redação da Constituição da República, considerando desnecessárias quaisquer alterações ao texto em vigor.