O candidato presidencial Sampaio da Nóvoa afirmou este domingo que “nada está ainda decidido” quanto à corrida a Belém e que está em causa uma escolha entre a estabilidade que propõe e alguém que será “inevitavelmente (…) um fator de instabilidade”.

“A escolha que vamos ter que fazer no dia 24 de janeiro é entre alguém que compreende este novo tempo político, que compreende a necessidade de apoiar, não no sentido partidário, mas de cooperar institucionalmente com este tempo novo, ou alguém que, uma vez e outra vez, sempre repetiu que isto não era possível, era impossível e até que não era desejável.”


Na inauguração da sede da candidatura no Porto, onde estiveram presentes vários elementos do Partido Socialista (PS), como o vereador Manuel Pizarro ou o líder da concelhia do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, o antigo reitor da Universidade de Lisboa afirmou que não se pode “passar uma esponja” sobre o que foi dito “por certos candidatos” desde as eleições legislativas.

“É certo que hoje, no dia em que estamos a falar, 13 de dezembro, parece que algumas dessas palavras são hoje mais suaves, mais delicadas, mas não foram assim em outubro, não foram assim em novembro, no pico desta crispação artificial que se viveu em Portugal, desta crispação alimentada por muita gente para tentar impedir que certas realidades se concretizassem”, declarou Sampaio da Nóvoa.

O candidato às eleições presidenciais realçou que é necessário combater o que designou de “três As”: o A de apagamento, de abstenção e o de amnésia.

“Uma espécie de um apagamento, de um certo silenciamento, que vem de meios de comunicação social certamente, mas também de muitos de nós, de muitas lideranças como se tudo isto já estivesse mais ou menos decidido, como se tudo isto fosse uma coisa mais ou menos simbólica, não havendo verdadeiramente nada de relevante a decidir”, lamentou Sampaio da Nóvoa.

Por outro lado, o candidato disse ser necessário abordar “sobretudo aquelas pessoas que há muito tempo se abstêm, que estão desmotivadas da vida política”.

Quanto ao último A, Sampaio da Nóvoa focou-se na “amnésia de um certo candidato que de repente parece que nunca disse nada, nunca fez nada, que se limita a dizer ‘não, o tempo das legislativas acabou, isso agora não interessa nada’, mas vai ter o apoio de Passos Coelho e Paulo Portas”.

O professor universitário recuperou a manchete do Expresso de sábado, que citava o candidato Marcelo Rebelo de Sousa a dizer: “Daqui a semanas sou Presidente da República”.

Neste contexto, Sampaio da Nóvoa lembrou a importância da vírgula em português e que “mais vírgula menos vírgula pode fazer uma grande diferença”, pelo que a frase deveria ser outra: “Daqui a semanas sou Presidente da República, se os portugueses quiserem”.

Já Manuel Pizarro, que interveio antes do candidato presidencial, acusou Marcelo Rebelo de Sousa de ser como "o lobo que veste a pele de cordeiro" e disse que os partidos de direita têm a expectativa de eleger um Presidente da República que, a seguir "a esta desgraçada presidência do professor Cavaco", efetue "uma luta institucional contra a maioria parlamentar que o povo escolheu e contra um Governo que tem completa legitimidade".