Pedro Passos Coelho afirmou, nesta sexta-feira, que só em dezembro o seu partido vai decidir sobre o apoio formal à candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Nós teremos Conselho Nacional agora no próximo mês de dezembro e tenho a certeza de que essa questão será objeto de discussão e de uma deliberação", afirmou o primeiro-ministro e presidente do PSD, em entrevista à RTP.

Questionado se vai defender perante o seu partido esse apoio formal, o líder dos sociais-democratas não respondeu diretamente à questão, retorquindo que "é provável que o PSD tenha uma posição", tendo em conta que "não deverá haver divisões" na sua área política, ao contrário do que aconteceu com o PS.

"O PS decidiu que não tinha posição nenhuma, na medida em que tinha mais do que um candidato", referiu. "Nós não deveremos ter esses problemas, não deverá haver divisões na nossa área política e, portanto, não faz nenhum sentido que os partidos não tomem uma posição", reiterou.

Segundo Passos Coelho, "não é impossível que possam ainda aparecer outros candidatos, mas é pouco provável".

O presidente do PSD considerou que as atuais circunstâncias políticas mostram "como é importante a eleição do Presidente da República" e, questionado se está desapontado com a forma como Marcelo Rebelo de Sousa se tem posicionado, voltou a evitar uma resposta direta.

Referindo-se ao antigo presidente do PSD como "professor Rebelo de Sousa", Passos Coelho manifestou a opinião de que "não houve tempo até esta data para que a chamada campanha presidencial ocupasse o centro do palco político".

"É muito natural que, agora, com a conclusão desta crise que vivemos em torno do Governo os candidatos presidenciais sejam instados a dizer o que pensam, a confrontarem as suas opiniões. E julgo que, à medida que isso ocorra, alguém que possa estar menos satisfeito ou menos confortado com aquilo que até hoje ouviu por parte do professor Rebelo de Sousa, [esse sentimento] se dissipará", acrescentou.

Passos Coelho declarou não ter dúvidas de que Marcelo Rebelo de Sousa "corporiza bem" os valores da área política do PSD e considerou que os sociais-democratas "não se sentirão com certeza desidentificados com aquilo que ele possa representar" na campanha para as presidenciais de 2016.
 

Sobretaxa, esquerda e António Costa


No que respeita à sobretaxa de IRS, Passos Coelho negou que tenha havido da parte do Governo PSD/CDS-PP "qualquer intenção de manipular os números" das previsões de devolução em 2016.

"O Ministério das Finanças poderá fornecer uma explicação mais detalhada", indicou, sobre o que levou a que a percentagem de devolução prevista por alturas da campanha eleitoral fosse de 35% e tenha vindo a diminuir, sendo agora de zero.

"É verdade que essas variações ao longo dos últimos meses foram sensíveis, mas não é verdade que tenham resultado, como já ouvi, de qualquer intenção de manipular os números", afirmou.

"Essas evoluções não são fabricadas, representam mês a mês o que os números da Autoridade Tributária mostram", acrescentou, considerando, porém, "natural" que esta evolução suscite dúvidas.

Também António Costa, líder do PS candidato a primeiro-ministro com o apoio dos partidos de esquerda, foi visado por Passos Coelho, que defendeu que o secretário-geral socialista deve demitir-se caso fique dependente dos votos dos sociais-democratas.

"O PS não tem nenhuma legitimidade para nos pedir seja o que for. No dia em que o PS tiver de depender dos votos do PSD ou do CDS-PP para aprovar alguma matéria que seja importante, eu espero é que o doutor António Costa peça desculpa ao país, diga que enganou o país na solução que corporizou ao derrubar o Governo anterior para poder oferecer um Governo minoritário e instável no parlamento, e se demita", considerou, argumentando que António Costa "devia melhorar" a solução governativa a apresentar ao Presidente da República, apontando duas alternativas: ou "uma coligação de Governo" ou "um acordo digno desse nome", que assegure a aprovação dos orçamentos.

O primeiro-ministro considerou, também, que um Governo do PS apoiado pelos partidos à sua esquerda põe em risco a recuperação económica, um clima de confiança e o equilíbrio das contas públicas, qualificando de "muito perigoso" o caminho proposto pelos socialistas e argumentando que "tudo aquilo que é conhecido hoje de compromisso entre o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS são medidas que ou agravam a despesa ou reduzem a receita".

Questionado sobre a estabilidade dos mercados na atual conjuntura política portuguesa, Passos Coelho disse esperar que isso se mantenha, mas acrescentou que "o problema é a mensagem que sair do Orçamento que for aprovado no parlamento em 2016", manifestando-se receosos de que seja uma mensagem de agravamento das contas públicas.