É um apelo de um candidato aos seus possíveis concorrentes na corrida a Belém: para Sampaio da Nóvoa, o tempo de apresentar candidaturas à Presidência da República é nada menos do que "agora". Ele lançou  oficialmente a sua a 30 de abril e agora que entrou junho, defende que é imprescindível que todos os concorrentes digam 'presente'. 

"Julgo que os candidatos têm de se apresentar com tempo ao eleitorado. Não seria correto desvalorizar a eleição presidencial ao ponto de a pessoa se apresentar dois ou três meses antes das eleições", afirmou, numa visita à Cáritas, quando questionado sobre alguma indefinição, sobretudo à direita, nomeadamente os eventuais candidatos Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio.

É necessário "ter a humildade e também a coragem de fazer este gesto e poder, com tempo, apresentar propostas e discuti-las com os portugueses", continuou, dizendo que ele próprio está a fazê-lo.

"O Presidente da República em Portugal, nos próximos anos, vai ter de ajudar a superar muitos problemas, estar muito junto das pessoas, num papel muito importante na vida política e, para isso, precisa de ser eleito com uma legitimidade, uma força, que lhe vem desta eleição popular e essa força reside também na maneira como se apresentar ao eleitorado", continuou.

"É imprescindível que os candidatos que queiram apresentar-se o façam num tempo, que é agora", pois "o tempo dos partidos, certamente, é outro".


"Temos de respeitar o tempo das legislativas em que se vai passar um período extraordinariamente importante da nossa vida política. O tempo dos partidos tomarem decisões sobre candidatos é necessariamente mais longo, mas o tempo da vontade individual, da decisão pessoal, de apresentar a candidatura, esse tempo é agora", sublinhou, segundo a Lusa.

Em entrevista na TVI24, Sampaio da Nóvoa prometeu não ser um Presidente "que só diz coisas"

Outro socialista, Henrique Neto, já anunciou a sua candidatura e, no programa Política Mesmo, da TVI24, disse compreender o "incómodo" que causa do PS, porque os partidos "gostam de yes men".

O docente universitário e antigo vice-presidente da câmara do Porto  Paulo Morais, o presidente da junta de freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, em Oeiras,  Paulo Freitas do Amaral também aspiram a Belém.


Recolha de assinaturas


O processo de recolha das 7.500 assinaturas para formalizar a candidatura ao Palácio de Belém está, segundo o Sampaio da Nóvoa, "a correr muito bem, com um ritmo bastante acelerado". Nóvoa espera que fique concluído "até final do mês de julho".

Durante a visita, o presidente da Cáritas Portugal, Eugénio Fonseca, salientou vários problemas da sociedade atual - falta de participação democrática, desqualificação, desemprego e pobreza - e traçou um perfil ideal para o "mais alto magistrado da nação", no qual Sampaio da Nóvoa se encaixa, um futuro "um intermediador fundamental".

"É um dos candidatos, aquele que conhecemos, ainda não vimos outros. É o primeiro candidato com quem estamos a falar, outros hão de surgir, portanto não posso fazer comparações", disse, salientando a origem do candidato do mundo académico, a sua valorização do trabalho e sensibilidade social.