A candidata presidencial do BE, Marisa Matias, afirmou ser candidata por estar "farta" de um Presidente da República "indiferente" aos cidadãos, garantiu não dar "trégua" ao "medo e à chantagem" apontando a segunda volta como "a próxima paragem".

Em Braga, para apresentar a sua candidatura às próximas eleições presidenciais, a eurodeputada assumiu-se como "uma mulher de esquerda" avisando que por isso não será "neutra" nem fingirá ser para "granjear" votos e prometeu trazer à agenda politica outros temas além do "bicho papão" dos mercados.

Num discurso pautado por citações da Constituição da República Portuguesa, Marisa Matias abordou o "clima de esperança" que Portugal vive com a união da esquerda e reafirmou a necessidade "tirar a direita" também da presidência da República.

"É preciso colocar outras coisas na agenda além dos mercados. Fazer das instituições um retrato fiel das pessoas que representam. Estou mesmo muito farta de uma Presidência da República que é totalmente indiferente aos cidadãos e às dificuldades de quem representa", apontou, depois de afirmar que o atual Presidente da República "só" fala para falar dos mercados.

"Cabe ao Presidente da República mobilizar o país para as questões relevantes que são não apenas para o país mas também para as cidadãos, exercer essa magistratura de influência e tomar posição muito clara em relação a todas as questões relevantes, desde a paz a questões do clima e, de uma vez por todas, deixar de ser aquela história do fim do dia do papão dos mercados", salientou a candidata bloquista.

No dia em que se iniciou a cimeira do Clima, em Paris, a eurodeputada prometeu trazer para o debate politico questões como as alterações climáticas, eficiência energética, paz e guerra porque a "candidatura par Belém não é um desfile, é um debate importante que deve ser feito".

Por isso, Marisa Matias afirmou candidatar-se "para que as instituições tenham voz e que essa voz tem que ser a voz dos cidadãos".

A eurodeputada garantiu ser independente mas que isso não a coloca numa posição de neutralidade: "Eu não sou neutra, não procurarei sê-lo para granjear mais simpatias, sou uma mulher de esquerda", assumiu, avisando que apesar de não ser neutra está "convicta" que "é possível" Portugal cumprir os compromissos que tem pela frente, nomeadamente os compromissos internacionais, "mas sem nenhum de sobrepor à Constituição".

Segundo Marisa Matias a sua candidatura não aparece "fora de tempo", porque "havia tarefas a cumprir neste país, havia um caminho a fazer para se garantir uma convergência e derrotar a direita".

A candidata bloquista deixou ainda um aviso: "Esta candidatura vai até onde a fizerem ir mas uma coisa vos garanto, a primeira paragem é a segunda volta [das eleições presidenciais] ", salientou.

Pelo palanque aonde Marisa Matias subiu para explicar porque se candidata às presidenciais, passou antes a porta-voz do Bloco de Esquerda para, além de reforçar a necessidade de derrotar a direita também na corrida para Belém, abordar o Programa do Governo e próximo Orçamento do Estado.

"O programa é do PS mas tem as medidas negociadas com a esquerda e com o BE, medidas sobre reposição de rendimentos de quem vive do seu trabalho, salários e pensões, medidas para defender a proteção social e dignidade d quem vive neste pais, defender o Estado Social, parar as privatizações", disse Catarina Martins.

Por isso, afiançou, "o BE aqui está com toda a sua determinação, a sua força, com toda a sua convicção, disponibilidade, clareza para aprovar um Programa de Governo que tem estas alterações" e "para permitir que haja um Orçamento do Estado que possa, em breve, ser construído e começar a repor as condições de vida digna no país para quem trabalha, trabalhou toda a vida".

As eleições para Presidente da República estão marcadas para o próximo dia 24 de janeiro.