As mesmas palavras para diferentes interpretações. Marcelo Rebelo reagiu esta segunda-feira às declarações de Pedro Santana Lopes, que leu nas palavras de Cavaco Silva que ele se incluía no perfil de seu sucessor, excluindo o conselheiro de Estado e comentador da TVI.


O professor deixou uma lição a Pedro Santana Lopes: «Acho mais importante lidar bem com o país. Sarkozy era ótimo em política externa e perdeu as eleições».

«Hoje é praticamente impossível uma pessoa que tem a liderança de um partido, que tem a liderança de uma autarquia importante como o Porto, que tem a liderança de uma central sindical ou de uma universidade, é muito difícil não estar metido nas relações internacionais. O Presidente não é presidente dos europeus nem dos africanos nem dos americanos, é Presidente dos portugueses. Sendo fundamental a política externa é mais importante o poder de concertação interna para o futuro Presidente», explicou Marcelo Rebelo de Sousa.


Cavaco Silva está a cerca de um ano de acabar o seu segundo mandato como Presidente da República e não pode recandidatar-se. Para seu sucessor em Belém têm sido falados nomes como António Guterres, António Vitorino, Carvalho da Silva, Rui Rio, Manuela Ferreira leite, Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa ou Santana Lopes.

«Tive a sorte – nem foi mérito – de ser líder do PSD num momento histórico para a Europa e de alguma maneira para o mundo, que foi a criação do Euro e a preparação do alargamento a Leste e tive metade do meu tempo passado em missões internacionais», lembra o fundador do PSD.

O professor não se exclui do perfil traçado por Cavaco Silva, nem os outros hipotéticos candidatos. E não afasta também Santana Lopes. «Acho que inclui Pedro Santana Lopes. Foi eurodeputado, foi primeiro-ministro, foi secretário de Estado da Cultura».

«É muito abrangente este perfil», conclui o professor.

E que perfil é esse?  «Nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiers relevantes para o país», defende o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no prefácio do «Roteiros IX».