Aluno brilhante, professor catedrático, comentador, político, Marcelo Rebelo de Sousa entrou esta sexta-feira na corrida a Belém, quase 20 anos depois de ter liderado o PSD.

Com 66 anos, dois filhos e cinco netos, Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa a 12 de dezembro de 1948, filho de um médico e de uma assistente social. Apresentou esta sexta-feira, em Celorico de Basto, distrito de Braga, onde está recenseado, a sua candidatura à Presidência da República.

A primeira escola que frequentou foi o Lar da Criança, para onde entrou com apenas ano e meio e teve como colega o cirurgião Alfredo Barroso. Dali, Marcelo saiu para o Liceu Pedro Nunes, onde foi o melhor aluno. Já na Faculdade de Direito de Lisboa continuou o percurso de aluno brilhante, terminando o curso com 19 valores.

Mas, ao contrário de muitos outros, não foi na faculdade que teve o primeiro contacto com a política. Marcelo Rebelo de Sousa nasceu e cresceu no meio dela e conviveu desde cedo com a família do então primeiro-ministro do Estado Novo, Marcello Caetano, devido ao envolvimento político do pai, Baltazar Rebelo de Sousa, que chegou a ser ministro das Corporações e do Ultramar.

O seu percurso no PSD também começou cedo. Militante desde 1974, ficou responsável pela implementação do então PPD no sul do país. Vinte anos depois, em 1996, no pós-cavaquismo, chegou à liderança do partido, cargo que ocupou durante três anos, saindo depois do fracasso da tentativa de reeditar a Aliança Democrática, com Paulo Portas no CDS-PP.

A sua ascensão à presidência do PSD ficou para sempre marcada por uma frase que até hoje persegue Marcelo Rebelo de Sousa. Pouco tempo antes do congresso de Santa Maria da Feira, quando questionado se algum dia seria candidato à liderança do partido, o professor foi peremtório: "Nem que cristo desça à terra".

Antes, em 1989, o agora candidato presidencial disputou as suas primeiras eleições como número um da lista do PSD e do CDS-PP à Câmara de Lisboa. É nessa campanha eleitoral que protagonizou um episódio até hoje recordado. Confrontado com alguma falta de notoriedade, Marcelo decide fazer alguma coisa de diferente e mergulha no Tejo em frente às câmaras de televisão para mostrar como o rio estava poluído. O gesto deu que falar, mas nem por isso lhe valeu a vitória.

Mas, além da liderança do partido e da experiência autárquica, não só em Lisboa, como em Cascais e Celorico de Basto, os corredores do poder são bem conhecidos de Marcelo Rebelo de Sousa que foi deputado à Assembleia Constituinte, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do VIII Governo Constitucional, vice-presidente do Partido Popular Europeu entre 1997 e 1999 e membro do Conselho de Estado há quase 10 anos.

Profissionalmente, além da longa carreira como professor catedrático, não só na Faculdade de Direito de Lisboa, mas também na Universidade Católica, Marcelo Rebelo de Sousa passou também pelo Expresso, nos tempos iniciais do semanário fundado pelo militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão.

Dessa altura vem também outro episódio caricato, quando foi publicada na secção ‘Gente' do semanário, no meio de um texto, uma frase da autoria de Marcelo fora de qualquer contexto: "O Balsemão é lelé da cuca".

Mais tarde, a relação entre os dois volta a sofrer novo abalo, quando Marcelo estava à frente do Expresso e Balsemão liderava o Governo, com os mais duros ataques ao executivo a surgirem precisamente naquele semanário.

Paulo Portas foi outros dos alvos das brincadeiras de Marcelo, quando o atual líder do CDS-PP dirigia o semanário Independente. À saída de uma reunião com o então Presidente da República Mário Soares, Marcelo terá contado a Paulo Portas que tinha sido servida uma vichyssoise, uma informação que posteriormente se veio a confirmar ser falsa e que, anos mais tarde, começou a ser usada como exemplo de que Marcelo seria uma pessoa pouco fiável.

Essa é, aliás, uma das críticas mais repetidas à sua personalidade, a par de ser uma pessoa instável e demasiado imprevisível.

Simultaneamente todos o reconhecem como uma pessoa de grande inteligência, simpático, divertido, emotivo e um verdadeiro estratega político.

Agora, chegou a hora do professor que dava notas aos políticos e a quem os portugueses se habituaram a ver na televisão aos domingos à noite ser avaliado nas urnas para tentar chegar ao cargo que muitos dizem ambicionar há vários anos.