A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite não afasta uma candidatura à Presidência da República. No seu habitual comentário, à quinta-feira, na TVI24, não negou a possibilidade de poder suceder a Cavaco Silva em Belém, nas eleições de janeiro de 2016.
 

«Estou habituada a ver referências ao meu nome tanto de forma lisonjeira como de forma muito crítica. Portanto, já me habituei a isso e não vou fazer qualquer espécie de comentário à cerca desse tipo de observações, talvez apenas dizer que entra na categoria das lisonjeiras».

 
Insistindo na questão, o jornalista Paulo Magalhães, no programa «Política Mesmo», voltou a perguntar se Ferreira Leite estava a ponderar a candidatura para as eleições. «Eu não ouvi a sua pergunta…», ironizou a ex-ministra das Finanças, desculpando-se, de seguida, com a iminência do fim do programa televisivo: «Acho que o seu tempo já terminou». E, a seguir, insistiu: «Por enquanto, as respostas, sou eu que as giro», acabou por declarar, sorriso nos lábios.
 
Manuela Ferreira Leite acabou por prometer revelar na estação caso pretenda avançar com uma candidatura a Belém. «Algum dia poderia eu menosprezar a TVI».
 
O nome da ex-ministra das Finanças como potencial candidata a Belém foi lançado pelo socialista Pedro Adão e Silva num artigo de opinião publicado no jornal «Expresso». No artigo, o socialista defende que se António Costa vencer as legislativas agendadas para o final deste ano, teria a ganhar em ter Manuela Ferreira Leite na Presidência da República, pois isso alargaria o «espaço de influência» dos socialistas, levando aos tão desejados consensos políticos.

Adão e Silva defende que a situação seria vantajosa «sobretudo quando é necessário um “compromisso político” entre as duas maiores forças políticas para “ultrapassar o bloqueio em que se encontra o país».

O facto de Manuela Ferreira Leite não negar uma eventual candidatura presidencial levou a várias reações nas redes sociais.

 



«Tenho pena que Portugal esteja a ser instrumentalizado»


No seu comentário no programa «Política Mesmo», a ex-ministra das Finanças de Cavaco Silva criticou a posição do Governo português relativamente à questão grega, que viu nesta quinta-feira uma recusa da Alemanha em aceitar uma extensão do empréstimo por mais seis meses. 

Ferreira Leite confessou também que não gostou de ver a ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque, sentada ao lado do homólogo alemão. Apresentado pelo ministro das Finanças Wolfgang Schäuble como a prova de que os programas de austeridade resultam, a comentadora lamentou que Portugal esteja a ser um instrumento nas mãos da Alemanha. «Tenho pena que Portugal seja apresentado como exemplo de sucesso», lamentou-se. E disse mais: «Não sei de onde vem a força moral da Alemanha para impor medidas».
 
A comentadora aplaude as palavras de Jean-Claude Juncker, considerando que o presidente da Comissão Europeia fez bem ao reconhecer que a austeridade é uma receita sem resultado e que não teve em conta os efeitos sociais de cada país. 

«Aquelas receitas, que eram postas de uma forma única, para tratar as doenças dos países estavam erradas. Nem sempre estavam ajustadas às especificidades de cada país [...]. Muito fundamentalmente, eram receitas que não atendiam em nada às consequências sociais das medidas que estavam a ser tomadas».