«Estou em período de reflexão», mas «acho que é extemporâneo e precipitado» falar já de eventuais candidaturas às próximas eleições presidenciais, que se realizam daqui a dois anos, afirmou o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), nesta quinta-feira, na TVI24.

Exatamente três anos depois da realização das últimas presidenciais, Fernando Nobre disse também, no programa «Discurso Direto», que, na altura, obteve um «resultado honroso», mas que, para já, as atenções devem estar centradas «nos desafios que o país enfrenta» no imediato.

Nobre destaca a importância, já para o próximo mês de Maio, das eleições europeias, a saída da «troika» de Portugal ou o futuro da economia do país. «Nós não podemos ter um Estado social credível e sustentado tendo um Estado falido ou em semi-falência», considerou o presidente daquela organização não-governamental.

Na noite do dia 23 de Janeiro de 2011, Fernando Nobre obteve, segundo os resultados oficiais, 14,1% dos votos - correspondeu a mais de 594 mil votantes, terceiro lugar - e reagiu desta forma: «A candidatura da pura cidadania acabou de ter um resultado histórico.» O sufrágio foi ganho pelo atual chefe de Estado, Cavaco Silva (52,95%), seguido de Manuel Alegre (19,76%).

«Bomba social»

Tal como há três anos, Nobre continua a defender candidaturas que sejam oriundas da sociedade civil, que considera ser «um pilar fundamental do Estado». «Tive uma experiência que não esqueço e que, enfim, demonstrou que os portugueses entenderam o meu sentimento e a minha mensagem», considerou o presidente da AMI.

«Com toda a humildade, até hoje, eu fui o único candidato presidencial verdadeiramente independente neste país. E fico-me por aqui», afirmou ainda Fernando Nobre.

No mesmo programa da TVI24, o ex-candidato à Presidência da República abordou outros temas, nomeadamente o das desigualdades sociais: «A tal bomba social que pode pôr em risco as nossas democracias.»

Fernando Nobre considerou igualmente que «os cortes nas reformas deviam ter um patamar mais elevado, a partir dos mil euros, 900 euros», defendendo ainda «reformas administrativas profundas», a redução do número de deputados na Assembleia da República, a extinção de algumas câmaras municipais ou limites para as reformas - mínimo de 500 euros e máximo de cinco mil euros - e salários.