O candidato presidencial Edgar Silva afirmou, nesta terça-feira, que Marcelo Rebelo de Sousa está em “situação particularmente vantajosa” porque não precisa de gastar dinheiro na campanha eleitoral, dado ter passado anos a prepará-la nas televisões.

“Em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, eu, de facto, reconheço que ele tem uma situação particularmente vantajosa porque não precisa de gastar dinheiro, até pelo contrário, ele foi pago para fazer a sua campanha. Ele recebeu, e muito, para através das televisões preparar toda a sua candidatura. Até teve fecho de emissão de longa duração e em horário nobre num canal televisivo”, disse Edgar Silva, no Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia.

O candidato a Belém, que falava no dia seguinte a Marcelo Rebelo de Sousa ter definido como "um escândalo" o gasto, em período de crise, de centenas de milhares ou milhões de euros numa campanha, assumiu que o seu orçamento é o mais elevado, mas que é apenas “uma estimativa”.

“Neste momento, o que está em causa são propostas e estimativas de gastos para uma candidatura”, vincou o candidato apoiado pelo PCP e PEV, acrescentando que, “no final, logo se verá quem gastou mais”.

O candidato a Belém realçou que não omitirá “nem um cêntimo” quanto aos gastos com ações de campanha, gastando “apenas o necessário” para “fazer chegar aos portugueses” as suas ideias.

O ex-padre católico e deputado regional madeirense tem um  total de despesas previsto de 750 mil euros, cujas receitas são antecipadas através da subvenção estatal (377.750 euros) e das contribuições de comunistas, ecologistas e outros donativos (372.250 euros).

Segundo dados da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, o antigo reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa surge em segundo lugar, com uma previsão de gastos de 742 mil euros, seguido de Maria de Belém (650 mil euros), Marisa Matias (454.659,50 euros), Henrique Neto (275.000 euros) e Marcelo Rebelo de Sousa (135.000 euros).

Questionado sobre a anunciada saída de Paulo Portas da liderança do CDS-PP, Edgar Silva escusou-se a comentar porque “como candidato à Presidência da República não seria correto comentar questões relativas à vida interna dos partidos”.

O período oficial de campanha eleitoral decorrerá entre 10 e 22 de janeiro de 2016, e o sufrágio está agendado para dia 24.

O Tribunal Constitucional decidiu hoje admitir as dez candidaturas às eleições presidenciais formalizadas com a entrega de pelo menos 7.500 assinaturas até 24 de dezembro, o que constitui um número recorde.