O candidato comunista à Presidência da República, Edgar Silva, afirmou este sábado que Portugal precisa de ter um Presidente da República que defenda a Constituição e que o país não está condenado a ser "refém dos interesses estrangeiros".

Edgar Silva falava esta noite em Lisboa, durante um jantar que juntou cerca de uma centena de jovens militantes do Partido Comunista e, num discurso de cerca de 15 minutos, fez muitas críticas ao atual Presidente da República, Cavaco Silva, e defendeu que Portugal precisa de uma alternativa política e de alguém que saiba respeitar a Constituição.

"Já é tempo de termos alguém em Portugal que faça garantir o respeito pela Constituição da República. Não basta ser alguém que a conheça [Constituição] de trás para a frente, mas que a saiba defender", sublinhou.


Edgar Silva disse ainda que se candidata para dar um novo rumo a Portugal porque o país "não está condenado à pobreza".

"Queremos mobilizar os jovens para a ideia de que Portugal tem uma alternativa. Não estamos condenados a ser o país mais injusto e desigual da Europa e a seguir esta linha de quase exílio para muitos portugueses, que procuram um salário e uma vida digna", atestou.


No mesmo sentido, o candidato comunista disse também que Portugal "tem de se libertar dos vícios da corrupção, do clientelismo e dos mercados": "Não estamos condenados a viver reféns de interesses estrangeiros e submissos aos agiotas e especuladores de economias mais fortes", concluiu.

O candidato comunista a Belém acusou o Presidente da República, Cavaco Silva, de "abuso de poder" e de querer ser "procurador dos especuladores e agiotas", por estar "preocupado com os mercados".

"É inaceitável que na sua intervenção o Presidente da República manifeste maior preocupação com os mercados e menos comprometido com os seus deveres constitucionais, com a salvaguarda do interesse nacional e a defesa do interesse do país", afirmou Edgar Silva.


O candidato comunista, que falava esta noite à agência Lusa à entrada para um jantar com jovens militantes, em Lisboa, comentava desta forma o discurso de quinta-feira de Cavaco Silva, onde justificou a indigitação de Pedro Passos Coelho para o cargo de primeiro-ministro.

Uma escolha que, no entender de Edgar Silva constituiu um "abuso de poder" por parte de Cavaco Silva por ir contra "a vontade do Parlamento".

"Trata-se de uma imposição forçosa de soluções de governo que não têm base parlamentar e que distorce o sentido de decisão de um órgão de soberania que é a Assembleia da República", afirmou.


Nesse sentido, e sem referir diretamente se indigitaria António Costa como primeiro-ministro, se fosse Presidente da República, Edgar Silva não tem dúvidas que agiria num sentido oposto ao de Cavaco Silva.

"Se fosse Presidente da República ouviria os partidos com assento parlamentar e depois respeitaria aquelas que seriam as maiorias que os parlamentares achariam por bem garantir", atestou.

Edgar Silva acusou ainda Cavaco Silva de ter colocado no seu discurso uma marca "antidemocrática" ao aludir à "falta de legitimidade" de alguns partidos para fazerem parte de uma solução governativa.