O candidato presidencial Edgar Silva é duro nas críticas à atuação de Cavaco Silva. Edgar Silva, em entrevista à TVI e à TVI24, acusa o atual Presidente da República de “incongruências” e “desrespeito pela Constituição”.
 

“Ainda na última intervenção, quando foi chamado a decidir, Cavaco Silva tomou partido não pelo interesse nacional, mas pelos agiotas e especuladores.”

 
Sobre o atual cenário político, Edgar Silva considera que Cavaco Silva não tem outra opção que não a de empossar António Costa enquanto primeiro-ministro. “Dificilmente o atual Presidente da República conseguirá ter outra orientação que não seja respeitar a vontade do parlamento e dos parlamentares”, sublinha.
 

“Há quatro partidos que manifestaram existirem condições para uma solução sustentável. O Presidente da República não terá outra grande solução. (…) Se assim não fosse, estaríamos perante um colapso democrático e um desrespeito pelas instituições democráticas.”

 
Em entrevista à TVI e à TVI24, Edgar Silva assume, “sem qualquer reserva mental”, que vai “assumir esta Constituição como base programática”, caso seja eleito. “Não sei se outros candidatos poderão dizer o mesmo”, atacou.
 
O candidato apoiado pelo Partido Comunista assegura não ter nada contra os mercados: “A própria Constituição prevê. A nossa economia é uma economia mista”.
 

"A Constituição da República portuguesa, apesar das suas sete revisões, continua a ser das mais progressistas. Embora tenha outras coisas: a saúde é tendencialmente gratuita, embora seja tendencialmente paga para a maioria das pessoas. A educação, na escolaridade obrigatória, deveria ser gratuita para todos os cidadãos e é cada vez mais paga para todos os cidadão. A Constituição também fala de proteção social para todos os cidadãos e o que vemos são os reformados, os pensionistas e os idosos numa luta pela sobrevivência, completamente desumana, os desempregados sem proteção. São violações grosseiras da Constituição.”

 
Edgar Silva assume a sua militância no PCP: “Não escondo, não ocultarei nunca que sou militante do PCP”. Já diante da pergunta se é católico, o ex-padre é menos taxativo. Sublinha o orgulho que sente quando ainda lhe chamam “senhor padre”, mas destaca que “o Estado é laico e o Presidente da República tem de considerar os portugueses independentemente das suas convicções”.
 

“Esta questão da laicidade do Estado e do respeito pelas convicções de cada homem e de cada mulher. (…) Não divide. O que divide são as grandes desigualdades sociais.”

 
Mas o candidato a Belém argumenta que o “Presidente da República, enquanto primeiro e último provedor do povo, tem de tomar partido”.