Sampaio da Nóvoa culpou o anterior Executivo, liderado por Passos Coelho, pelos processos de degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O candidato presidencial considera que a falta de equipas médicas de neurocirurgia aos fins-de-semana no Hospital de São José são, em parte, fruto dessa degradação e lembra os avisos que foram deixados ao longo dos últimos anos.

"Parece-me evidente que a responsabilidade tem de ser atribuída ao anterior Governo, a grande parte do que foram os processos de degradação do Serviço Nacional de Saúde. Eu fui alertando, muitos de nós foram alertando ao longo dos últimos anos - com a degradação dos serviços públicos, com a degradação da escola pública, com a degradação do SNS - e estes casos acabam agora por acontecer e isso foi feito perante muita gente que se calou, muita gente que, no momento certo, não levantou a sua voz", afirmou o candidato em entrevista ao Jornal das 8 na TVI .

"Obviamente que agora é fácil ter atos e gestos de solidariedade quando, na devida altura, no devido momento, havia um combate a travar, um combate a fazer, mas esse combate não foi travado por muita gente em Portugal", rematou.


Ao abordar a questão da responsabilização, Sampaio da Nóvoa não quis falar em nomes concretos, mas não se escusou a ser mais específico.

"Incluem-se também candidatos presidenciais com certeza. Inclui-se muita gente que não se bateu por esse Estado Social, que justificou as políticas de austeridade, que justificou ano após ano, comentário após comentário que as coisas eram inevitáveis, que não haviam outras soluções e que foi ano após ano justificando essas soluções. É evidente que na vida todos sabemos: há os culpados diretos e aqueles que são culpados pelo silêncio, por na altura certa não terem levantado a sua voz. No meu caso, eu estive sempre nas batalhas do Estado Nacional". 

"A minha candidatura é feita em nome da defesa do Estado Social, da escola pública, do Serviço Nacional de Saúde. Estes são valores que eu venho defendendo há muitos anos, de forma muito sistemática", concluiu.


Na entrevista que deu à TVI, Sampaio da Nóvoa disse ainda que a sua candidatura é "feita contra interesses instalados".