Manuel Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da CGTP, não vai ser candidato à Presidência da República.

A TVI sabe que a decisão é definitiva e foi comunicada ontem à noite pelo ex-sindicalista a um conjunto de pessoas com quem nos últimos meses estava a debater uma eventual candidatura às próximas presidenciais.

Carvalho da Silva acaba, assim, por desistir da corrida a Belém, a poucos dias de uma reunião decisiva com estruturas de campanha que já estavam a ser preparadas em todo o país.

A candidatura de Sampaio da Nóvoa foi decisiva para o recuo de Carvalho da Silva, ainda que o ex-sindicalista tenha chegado a dizer publicamente que a sua disponibilidade para ser candidato não tinha sido posta em causa pelo avanço do ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Em março, o antigo secretário-geral da CGTP afirmou que estava disponível para uma candidatura presidencial, mas garantiu que não estava obcecado com uma candidatura presidencial.

Carvalho da Silva disse que poderia avançar, caso o processo de auscultação que estava a fazer revelasse que a candidatura fazia sentido.

«Procurarei não defraudar estas posições e estar disponível», declarou, vincando: «Não foi agora que despertei para este problema, sempre me pronunciei sobre isto. Não estamos perante uma novidade», afirmou na altura. 


Já esta quinta-feira, em declarações à Lusa, Carvalho da Silva, defendeu que apenas assumiu uma disponibilidade:

"Eu manifestei disponibilidade mas nunca me inscrevi na corrida, nem me coloquei na linha de partida. Mas isso não vai acontecer, não vai haver uma candidatura minha à Presidência da República".


Em seguida, o sociólogo negou que a sua decisão tenha a ver com falta de apoios, pois, segundo ele, tem recebido mensagens de apoio e incentivo de todo o país e setores da sociedade.

"Tenho tido também muitas pessoas a disponibilizarem-se para preparar uma candidatura minha, mas isso não vai acontecer", assegurou.


Apesar dos sinais de simpatia e apoio que tem recebido como incentivo a candidatar-se a Belém, Carvalho da Silva admitiu que seria muito difícil concretizar essa hipótese sem apoios partidários.

"Tenho consciência de que tenho a simpatia e o apoio de muitos portugueses, mas daí até ter uma estrutura organizada capaz, sem contar com apoios partidários, não é fácil ", disse salientando que uma eventual candidatura sua seria "uma candidatura cidadã, construída na sociedade".

"Isso não é fácil, ainda mais no contexto atual. É um desafio pesado", acrescentou.


Carvalho da Silva adiantou ainda que não se vai candidatar a presidente porque não quer ser um fator perturbador na sociedade ou na política.

"A minha vida tem sido dedicada a causas concretas, ao mundo do trabalho e ao herói comum. Eu não posso dar qualquer passo que possa ser considerado como fator perturbador e muito menos como bode expiatório de soluções que estão para além de mim", disse à Lusa.


O cenário político foi outro dos fatores que levaram o professor universitário a retirar a disponibilidade para uma eventual candidatura à Presidência da República.

"Podemos correr o risco de ter um novo ciclo político que seja de continuidade e de afirmação da subjugação dos portugueses à austeridade", considerou.


O investigador social defendeu a necessidade de "despertar toda a esquerda" para este risco e de ser construído um entendimento para que os portugueses possam ter um ciclo político novo, com novas políticas.