O candidato presidencial Sampaio da Nóvoa lamentou esta segunda-feira os custos elevados para os contribuintes da situação do Banif e o arrastar no tempo dos problemas com "consequências muito graves", mas disse ser "muito positivo" que se assegurem os depósitos.

"Julgo que é uma situação grave, preocupante, mais uma vez com custos elevados para os contribuintes e parece que não temos sabido aprender com as lições do passado", afirmou Sampaio da Nóvoa, em declarações aos jornalistas à margem de um debate sobre "O Futuro para além da idade", organizado na sede da sua candidatura, em Lisboa.


Lamentando o arrastar no tempo da situação do Banif, com a complacência de muitos responsáveis que deviam ter agido e atuado de forma mais imediata, Sampaio da Nóvoa disse, contudo, ser "muito positivo" que se assegurem os depósitos, "porque isso mantém a confiança no sistema bancário, que é absolutamente essencial".

Sampaio da Nóvoa defendeu ainda a necessidade de aprender com "estas lições que sucessivas situações destas nos têm dado", preconizando alterações no sistema de regulação do sistema bancário e o aumento da transparência das decisões políticas.

"Nenhum de nós está disponível para que aconteçam mais casos destes, com consequências graves para os contribuintes, creio que temos de tirar as lições disso", enfatizou.


Questionado que alteração na regulação do sistema bancário defende, o candidato às eleições presidenciais de 24 de janeiro sublinhou que é necessária maior independência na forma de fazer a regulação, "maior capacidade de previsão, uma informação mais consistente e depois uma capacidade de ação e de intervenção".

"O que todos os portugueses sentem é que houve uma espécie de um silêncio sobre matérias que hoje sabemos que eram conhecidas há muito tempo e isto não é aceitável, não é aceitável que este silêncio continue", vincou.


Silêncio não só da parte do governador do Banco de Portugal, acrescentou, mas de muitas pessoas que estavam dentro da situação e deixaram o problema arrastar-se durante três anos.

"Os portugueses não estão disponíveis e eu não estou disponível também para que haja uma espécie de silêncio, de ocultação sobre situações que têm de ser resolvidas a tempo e horas, que têm de ser resolvidas frontalmente e que têm de ser resolvidas com grande transparência, não podem ser adiadas por ciclos eleitorais, não podem ser adiadas por interesses de uns ou de outros, têm de ser tomadas em função do interesse público", argumentou.


O Governo e o Banco de Portugal decidiram no domingo a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal em comunicado.

A alienação foi tomada "no contexto de uma medida de resolução" pelas "imposições das instituições europeias e inviabilização da venda voluntária do Banif", segundo o comunicado.

A operação "envolve um apoio público estimado em 2.255 milhões de euros que visam cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões diretamente do Estado", disse o banco central, garantindo que esta solução "é a que melhor protege a estabilidade do sistema financeiro português".