"Xau, Edgar!", grita, lá do fundo, antes de entrar para o turno. Vestida de verde água, como todas as outras, gostou do homem com quem falou à entrada do trabalho. Segue caminho para um dia que de certo lhe agravará as tendinites nos pulsos e nos ombros. Aqui a jornada é contínua, trabalham por turnos, têm doenças profissionais provocadas pelos movimentos repetidos ao longo das 8 horas que passam em pé. E ganham mal. Algumas muito mal. 

É por elas que Edgar, aqui apenas Edgar, cá vem. Apela ao voto e diz que as questões laborais não são apenas "um rodapé, são algo central e nuclear" na candidatura com que se apresenta. 

Elas entram e saem, apressadas, muitas nem param para receber o folhetim com a fotografia de Edgar. Essas, saem de rosto fechado e olhos no chão que adivinham o pouco ou nenhum interesse pelas "coisas da política". Outras abrem um sorriso e dão apoio, afastando a cinzentude das colegas que, com vidas difíceis, já perderam a esperança. Edgar agradece. "Obrigado pela simpatia".

Não muito longe dali, procura o caminho a seguir. Visita outra empresa onde a média salarial ronda os 1100 euros. Questionado, um trabalhador e dirigente sindical responde "é bom trabalhar aqui". Sentem-se valorizados e a empresa ganha com isso. É uma das mais competitivas da Europa. A diferença é notória. Grande parte dos trabalhadores sai de sorriso no rosto, sem a cinzentude que o candidato apoiado pelo PCP viu momentos antes.

"Sim, é bom trabalhar aqui". É isto que Edgar gostaria de ouvir das mulheres que conheceu. Se na segunda empresa grande parte sai de carro, na primeira, há uma camionete à espera das mulheres para levá-las a casa. O dinheiro não chega para comprar um carro. 

Lá dentro, já de partida, acenam ao candidato. Por de trás do vidro escurecido é possível ler-lhes nos lábios um entusiasmado "vamos votar em si!". Edgar agradece e acena de volta. Do outro lado da cerca, das que se preparam para a jornada ouve-se novamente:

"Xau, Edgar! Xau!".