É a oradora surpresa do almoço. Tão surpresa que a própria, sentada no meio da multidão que ouve Marisa, ao inicio nem se apercebe que é dela que se fala no púlpito.

Mas Marilu (tem nome de ex-ministra, mas faz questão de referir que não nada tem de "filha da linha de Cascais" - é de Loulé), não se intimida. É mulher de luta e por isso levanta-se. Sobe ao palco e rouba o microfone à candidata.

Marilu Santana conta entäo a sua história, de como esteve 16 dias algemada às escada de um clube de praia, em Portimão, para reivindicar salários em atraso por si e pelas restantes trabalhadoras daquela empresa. Ouvem-na quase 200 pessoas.

O almoço comício de Marisa Matias, num restaurante em plena nacional 125, no Algarve, está como que suspenso. Preso a uma história de coragem e de sobrevivência. Marilu continua a falar. Ainda tem para dizer que agora, ultrapassados os dias de maiores dificuldades, surgiram novos problemas: não consegue que nenhum "patrão" - a expressão é sua - lhe dê trabalho porque temem contratar quem está disposto a lutar pelos seus direitos.

Marilu agradece o tempo que lhe dispensam. Recebe aplausos  e rapidamente deixa atrás as luzes da ribalta.

Volta ao seu lugar. Senta-se, e em silêncio, torna a ouvir o que tem a dizer a candidata presidencial. Afinal era só isso que tinha ido ali fazer. Ouvir propostas políticas para o futuro, numa região que tem a mais alta taxa de desemprego do país.