O secretário-geral comunista apelou este domingo aos portugueses para não se absterem de exercer o direito de votar nas eleições presidenciais, em Pirescôxe, arredores de Lisboa, depois de depositar o seu boletim na pouco concorrida urna.

Jerónimo Carvalho de Sousa, eleitor n.º AD32 da sétima mesa de voto da União das Freguesias da Azóia, São João da Talha e Bobadela, no Grupo Desportivo de Pirescôxe, votou pelas 11:02, muito rapidamente, ao contrário de outros sufrágios em que esperou largos minutos na fila.

"Eu como sou daqueles que ainda se lembra do tempo em que era proibido o exercício desse direito, poder fazê-lo é importante para a própria democracia", afirmou, numa assembleia de voto com 2.200 cidadãos inscritos e que acolheu, nas primeiras três horas, menos de 10% daquele universo.

O candidato presidencial do PCP em 1996 e em 2006, embora desistindo antes da votação na sua estreia, desejou "que os portugueses não se abstenham porque está em causa a eleição da figura máxima do Estado, que vai ter de assumir ir defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República".

"Ora, por todas as razões, pelos conteúdos e projeto e os valores de Abril que ela (Constituição) consagra e transporta, bem merece a participação dos portugueses", disse ainda o líder comunista.

Mais de 9,7 milhões de eleitores estão recenseados para eleger o novo Presidente da República, que irá substituir Cavaco Silva, de entre 10 candidatos, um recorde de nomes no boletim de voto.

O Chefe de Estado fica decidido caso obtenha 50% dos votos mais um. Se nenhum conseguir alcançar tal expressão realiza-se uma segunda volta, a 14 de fevereiro, com os dois concorrentes mais votados.

Os dez candidatos aparecem no boletim de voto pela seguinte ordem: Henrique Neto, António Sampaio da Nóvoa, Cândido Ferreira, Edgar Silva, Jorge Sequeira, Vitorino Silva (Tino de Rans), Marisa Matias, Maria de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Morais.