Macário Correia vai retomar as funções de presidente da Câmara de Faro na quinta-feira, por se «terem alterado os pressupostos» pelos quais tinha feito esse pedido, disse esta quarta-feira o autarca à agência Lusa.

O presidente da autarquia algarvia tinha pedido a suspensão provisória do mandato enquanto aguardava a decisão sobre um recurso apresentado contra a condenação à perda de mandato por irregularidades no licenciamento de obras privadas em Tavira e entregou o exercício do cargo ao vice-presidente, Rogério Bacalhau.

Questionado pela agência Lusa sobre se tinha recebido uma decisão favorável nesse recurso, Macário Correia respondeu apenas que se tinham ¿alterado os pressupostos¿ que o levaram a pedir a suspensão de mandato, remetendo mais esclarecimentos para uma declaração que irá divulgar na quinta-feira.

O autarca considerou, quando pediu a suspensão de mandato, que a condenação à perda baseou-se em factos nos quais disse não ter tido «qualquer interesse, a não ser de ajudar quem precisa» e prometeu explicar um «com muito detalhe, esta situação que não é desejável a ninguém».

Disse ainda que o objetivo da suspensão provisória do mandato era, enquanto aguardava a análise do recurso a apresentar quanto à sua condenação à perda de mandato, «demonstrar a todos que interessa mais a verdade e a justiça do que o poder pelo poder».

Macário Correia considerou que os factos que levaram à condenação de perda de mandato mereceram «três decisões opostas entre si» dos vários tribunais que apreciaram o caso e disse que o processo o faz "sofrer profundamente há cerca de três anos", confessando posteriormente lhe provocou «revolta e mágoa».

O autarca referiu que as «circunstâncias deste processo, com sucessivas contradições nas decisões dos titulares do poder judicial», são «muito preocupantes e inquietantes», porque «perante a Constituição todos têm direito a uma justiça equitativa», e assegurou que iria «cumprir serenamente» a última decisão judicial, qualquer que fosse o seu sentido, escreve a Lusa.