Portugal e Espanha estão a desmentir as vozes mais pessimistas, com os primeiros sinais positivos de resultados das reformas estruturais, apesar das dificuldades que persistem, disse o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, segundo a Lusa.

«Ainda enfrentamos muitas dificuldades, nomeadamente ao nível do desemprego. Os nossos povos têm feito grandes sacrifícios. Mas hoje, de todas as partes, chegam-nos sinais de que em Portugal e em Espanha a situação está a ser invertida. Portugal e Espanha estão a desmentir as vozes mais pessimistas, e estamos ambos apostados na recuperação definitiva das nossas economias», afirmou em Espanha.

O primeiro-ministro falava no Real Mosteiro de Yuste (Cáceres) onde hoje o Príncipe das Astúrias entrega o Prémio Carlos V ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. A cerimónia contou com as presenças, entre outros, do presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, da Extremadura, José Antonio Monago e o chefe da diplomacia espanhola, José Manuel García-Margallo.

Num discurso em que enalteceu o que tem sido feito, a nível nacional, pelos estados membros e, a nível conjunto, com a intervenção da Comissão Europeia, Passos Coelho sublinhou que no caso de Portugal os efeitos benéficos das reformas «se tornarão visíveis por muitos anos» e constituirão «a base da (...) prosperidade futura» do país.

Reformas estruturais, sublinhou, que tinham como objetivo tornar a economia «mais democrática, mais aberta à participação de todos» e que «implicaram escolhas difíceis, dado o estado muito difícil» em que o país se encontrava.

«Mas eram necessárias, e começamos gradualmente a ver os seus resultados a vários níveis. A mudança no perfil estrutural da nossa economia, que era uma mudança indispensável, é já um facto incontornável», disse.

«No caso de Portugal, a crise agudizou debilidades estruturais e desequilíbrios crónicos da nossa economia, que temos vindo a corrigir recorrendo a um conjunto de instrumentos diferente daquele de que dispusemos no passado. Esta circunstância torna o nosso trabalho mais árduo, mas permitirá encontrar soluções duradouras para um crescimento económico sustentável», disse.

Passos Coelho disse que, apesar da crise, a adesão ao euro continua a ter um «fortíssimo apoio popular e político em Portugal e em Espanha», num momento em que são necessárias respostas comuns aos desafios a que a Europa se enfrenta.

«Devemos sempre salvaguardar e ter presente esta condição indispensável, ultrapassando preconceitos e divisões artificiais entre norte e sul, entre centro e periferia, entre credores e devedores», disse.

Na sua intervenção Passos Coelho destacou o papel da CE em «identificar o genuíno interesse europeu, quer na definição urgente de respostas para a crise, quer na construção de uma União Europeia mais forte e equilibrada para o futuro».

Motivo pelo qual a escolha do júri do Prémio Carlos V é «totalmente justificada», reconhecendo um homem «de ação e de compromissos e de diálogo» especialmente importantes nos momentos «particularmente adversos» dos últimos anos.

«Nos últimos dez anos, Durão Barroso singularizou-se como um convicto defensor do projeto europeu e um obreiro infatigável das profundas mudanças ocorridas, no plano institucional e no plano das políticas prosseguidas, que moldaram a União e a zona euro e preparam o seu futuro», disse.

«O legado que partilhamos e a dimensão da obra que temos por diante a todos obriga a um continuado sentido de urgência, de consistência e de união nas respostas às crises», afirmou.

A nível nacional, disse, é essencial continuar o caminho em curso e, a nível europeu, avançar no aprofundamento da união económica e monetária, procurando acelerar o processo de tomada de decisões e da sua implementação.