O deputado Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, questionou esta segunda-feira o Governo sobre as medidas que tenciona tomar, face aos estragos do temporal na costa aveirense.

Em nome do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, aquele deputado entregou na Assembleia da República um conjunto de perguntas dirigidas ao Governo, através do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, sobre quais as medidas que está a preparar para reparar os estragos e proteger as populações.

«Que medidas de fundo e estruturais vai o Ministério tomar para combater os efeitos da erosão costeira que tem especial incidência no distrito de Aveiro?», interroga o deputado do BE, que pretende que o Ministério garanta que as areias retiradas e a retirar da costa pela Administração do Porto de Aveiro, sejam recolocadas em programas de combate à erosão costeira.

Salientando que, nos últimos dias, a erosão costeira colocou em risco as populações costeiras no distrito de Aveiro e causou mesmo estragos e inundações em vários locais, Filipe Soares regista tratar-se de um problema recorrente que é agravado durante as marés vivas e durante o inverno. «A situação atual é drástica para as populações afetadas e exige uma resposta imediata. Em Espinho verificaram-se cheias. No Furadouro, o mar galgou as proteções e inundou a zona do bairro dos pescadores. Ainda no Furadouro, o próprio posto de praia da cooperação de bombeiros foi afetado. Na Praia da Barra foi arrastado um bar e destruiu um passadiço. Ao longo da costa vários postos foram danificados», descreve.

Filipe Soares lembra que «a situação de risco é conhecida há muito» aludindo ao Relatório do Estado do Ambiente em Portugal de 2004, que identificava como zonas mais ameaçadas pela erosão costeira o troço Espinho-Cortegaça (com um recuo de 3,2 metros/ano), o troço Costa Nova-Vagueira (8,0 m) e a praia do Furadouro (9,0 m).

Face ao avanço do mar, segundo o deputado, «as medidas que vários governos têm adotado têm-se revelado dispendiosas mas ineficazes e muitas vezes mesmo erradas", já que "estruturas como pontões apenas resolvem localmente o problema, com a consequência gravosa de o tornar pior a sul da localização».

O BE observa ainda que, no início de 2013, a Administração do Porto de Aveiro (APA) vendeu 100.000 toneladas de areias dragadas e no final do ano, 1.200 toneladas dessas areias estão ainda a ser depositadas no seu meio natural, para reforçar o cordão dunar a sul da Costa Nova, havendo desproporção entre as areias destinadas para venda e para recolocação na costa.