O Governo português manifestou-se esta segunda-feira “preocupado e até indignado” pelas notícias de frequentes violações do cessar-fogo na Síria e reiterou o apelo de Portugal ao cumprimento do decidido sábado à noite pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Contactado pela agência Lusa desde Lisboa por telefone após uma reunião com o homólogo russo em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, lembrou que o acordo de cessar-fogo “isenta” os que combatem quer o grupo Estrado islâmico (EI) quer as diferentes fações ligadas à Al-Qaeda.

Vejo com muita preocupação e até indignação, visto que o cessar-fogo tem de ser cumprido e cumprido por todas as partes. Evidentemente que a decisão do Conselho de Segurança da ONU isenta da obrigação de respeitar o cessar-fogo quaisquer forças que se tenham de opor ao Daesh [grupo Estado Islâmico] ou aos grupos ligados à Al-Qaeda. Há esta cláusula no acordo de cessar-fogo”, frisou Santos Silva à Lusa

“No entanto, há relatos de acusações de violação ao cessar-fogo e há já uma posição das Nações Unidas chamando todas as partes ao respeito escrupuloso por aquilo que o Conselho de Segurança decidiu”, acrescentou Santos Silva, momentos depois de se ter reunido com o homólogo russo, Serguei Lavrov, em Moscovo.

Troca "muito útil" de informações com homologo russo 

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, “informou” esta segunda-feira o homólogo português, Augusto Santos Silva, sobre a posição da Rússia nos conflitos na Síria e no Médio Oriente, numa troca de impressões considerada “muito útil” pelo ministro português.

Sem avançar pormenores, Santos Silva, que foi recebido hoje em Moscovo por Lavrov, limitou-se a indicar que, em relação ao cessar-fogo na Síria as posições são “convergentes”, lembrando que o Conselho de Segurança da ONU aprovou, sábado á noite, por unanimidade, um trégua por um período nunca inferior a 30 dias para permitir a abertura de “corredores humanitários”.

Destacaria a troca de informações que me pareceu muito útil para ambas as partes sobre a Síria e o Médio Oriente, em que aí, ouvi mais as informações e as análises que foram transmitidas pelo ministro russo”, disse Santos Silva, contactado por telefone pela Lusa a partir de Lisboa.

O chefe da diplomacia portuguesa, que deixa hoje Moscovo de regresso a Lisboa, falava momentos após o terceiro encontro com Lavrov em menos de dois anos, indicando, também sem adiantar pormenores, que deu informações e análises ao chefe da diplomacia russa sobre a atual crise política, económica e social na Venezuela.

Os dois ministros, segundo Santos Silva, também passaram em revista o relacionamento da Rússia com a União Europeia (UE) e com a NATO, em que as duas partes “reafirmaram as suas posições, que são conhecidas”.

Nas discussões foram também discutidas as situações no Sahel (terrorismo islâmico sobretudo no Mali e Nigéria) e no norte de África (Líbia), mas Santos Silva nada mais adiantou.

“A troca de opinião, essas consultas políticas sobre temas em áreas geográficas e geoestratégicas que interessam a ambos os países, foi muito útil”, disse.