O líder parlamentar do PSD afirmou esta quarta-feira que a vigilância da Comissão Europeia por desequilíbrios económicos excessivos «não traz nada de novo» e que este procedimento só não acontecia por Portugal estar sob programa de assistência económico-financeira.

«Nós sabemos que Portugal tem ainda de vencer importantes desequilíbrios que tem na economia, que tem de garantir a sustentabilidade da sua dívida, de continuar a trilhar um caminho de recuperação do emprego e baixa do desemprego, e esta comunicação evidencia isso mesmo mas não traz nada de novo», afirmou Luís Montenegro.


A Comissão Europeia anunciou esta quarta-feira que, no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob «monitorização específica», por desequilíbrios económicos excessivos.

«Concluímos que cinco países, França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal apresentam desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica», anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o líder da bancada laranja defendeu que este anúncio tem de ser encarado «com tranquilidade».

«Esta comunicação da Comissão Europeia não traz nada de novo e reflete uma situação que se vive em Portugal e em muitos outros países europeus, creio que ao todo serão dezasseis países que têm hoje problemas de desequilíbrio macroeconómico, é evidente uns com mais intensidade do que outros», sustentou.


Montenegro reconheceu que Portugal está entre os que "têm um grau de vigilância mais apertado, mas isso decorre de uma situação que é conhecida".

O presidente do grupo parlamentar do PSD alertou depois para os dados da execução orçamental, hoje divulgados, «que atestam uma situação de controlo financeiro» e para o «mínimo histórico» na taxa de juro da dívida portuguesa (a 10 anos).

«A despesa está controlada, a diminuir, houve também um efeito de diminuição do lado da receita mas que tem explicação naquilo que foram do lado do IRS alterações nas tabelas de retenção e a baixa do IRC, mas estamos convencidos que será alvo de recuperação ao longo do ano», afirmou Montenegro.


Questionado pelos jornalistas, o deputado do PSD disse ainda que Portugal tem tido «demonstrações de solidariedade dos parceiros europeus» em vários momentos por cumprir o memorando, por oposição à Grécia.

«Em devido tempo tivemos flexibilização de metas orçamentais, diminuição das taxas de juro dos empréstimos, infelizmente a Grécia está numa situação completamente diferente da portuguesa e necessita bem mais desse espírito de solidariedade no sentido de conseguir sair do programa de ajuda externa no qual ainda está embrulhada por assim dizer», declarou.