Os representantes da troika demonstraram «enorme relutância» na flexibilização da meta do défice, revelou o secretário nacional do PS Eurico Brilhante Dias, que acusou o Governo e as instituições europeias de insistem numa «agenda de cortes».

Os representantes da troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI) estiveram reunidos com o PS durante cerca de hora e meia, entre as 10:00 e as 11:30, num encontro em que participaram o secretário-geral socialista, António José Seguro, o líder parlamentar, Carlos Zorrinho, e os secretários nacionais Óscar Gaspar e Eurico Brilhante Dias.

«A nossa perceção é que há uma enorme relutância na flexibilização [da meta do défice], mas isso cabe à troika vir dizê-lo», disse Eurico Brilhante Dias aos jornalistas, após a reunião.

O PS, conforme o secretário-geral, António José Seguro, anunciou na terça-feira, propôs que o défice para 2014 seja de «pelo menos 5% do produto». O PSD já veio contestar a medida, alegando que é eleitoralista.

«Julgo que o PS sabe que a discussão que tem existido é à volta dos 4,5%. O PS quis ser mais eleitoralista e, portanto, veio propor 5%. O PS anda nesta procura de cata-vento de campanha eleitoral para obter em todos os seus procedimentos ganhos eleitorais», declarou o porta-voz do PSD, Marco António Costa.

Eurico Brilhante Dias disse que os representantes da troika tiveram com o PS «uma conversa animada», mas revelou pouco sobre o que os técnicos da missão externa transmitiram aos socialistas.

O dirigente socialista adiantou, contudo, que, concretamente, «o programa cautelar não foi discutido», e que embora os socialistas tenham questionado os representantes da troika sobre «a possibilidade de Portugal vir a ter outro programa», a resposta que receberam não foi «completamente satisfatória».

Eurico Brilhante Dias desafiou ainda a troika a «passar da teoria à prática» sobre as conclusões que ela própria, nomeadamente o FMI, tira sobre «o caminho» da austeridade, sublinhando que essas conclusões, reveladas na terça-feira, vão ao encontro da posição do PS: «Há limites de velocidade e os portugueses viram todos os limites de velocidade, de cortes sucessivos, serem ultrapassados», argumentou.

O secretário nacional do PS disse que «a principal conclusão» da reunião é a de que «o Governo e a troika insistem em manter a política dos cortes» e que os socialistas insistiram que «é preciso parar com corte nas pensões e nos salários», reiterando considerar inaceitável uma redução do salário mínimo nacional e que é urgente repor o IVA da restauração nos 13%».