Notícia atualizada às 19:05

O Bloco de Esquerda exige ao Governo que intervenha rapidamente para impedir a venda da Portugal Telecom à multinacional Altice, que classifica como um «fundo abutre». O BE propõe, antes, a «apropriação pública» da empresa portuguesa. Também o PCP defende que o Estado deve impedir «qualquer alteração acionista».

«É necessário que o Governo tome uma ação rápida para não permitir o desmembramento da PT e essa ação rápida passa pela apropriação pública de 50 por cento do capital mais uma ação para poder controlar a empresa», defendeu, na Assembleia da República, a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins.

A dirigente bloquista classificou a Altice, que oferece mais de 7 mil milhões de euros pela operadora portuguesa como «um fundo abutre», cuja função «é fazer o maior lucro possível no menor espaço de tempo». E considerou que a «perspetiva que se pode ter da Altice na PT é o desmembramento da PT, a sua venda às postas» e «milhares de despedimentos».

Embora reconheça que a intervenção estatal - com controlo maioritário da «parte estratégica» da PT - «tem custos», Catarina Martins entende que, ainda assim, «tem muito menos custos do que Portugal perder uma empresa que tem um setor estratégico das comunicações, um centro tecnológico com um impacto muito grande na economia», cita a Lusa.

A dirigente bloquista argumentou, ainda, que «a PT é um grupo com várias empresas» que tem uma «parte de capital financeiro e especulativo que não interessa ao país», cabendo ao Estado «definir o perímetro da nacionalização». «A passividade do Governo em tudo isto achando que a destruição da PT é a economia a funcionar é que não tem nenhum sentido», rematou.

 Da parte do PCP também se exige que o Estado recupere o controlo maioritário da operadora. «Seja em função da Altice ou de outras, aquilo que o Estado português devia fazer era bloquear qualquer alteração na estrutura acionista neste momento», defendeu Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do PCP, em declarações à Lusa.

«Ao longo destes anos a PT foi usada para tudo menos para defender os interesses nacionais, foi usada para distribuir mais de 11,5 mil milhões de euros de dividendos aos acionistas, para grandes negócios como o financiamento a Rio Forte, para fugir ao pagamento de impostos, tudo menos para defender os interesses nacionais», criticou ainda.

Para proteger os interesses estratégicos nacionais, o PCP propõe que o Estado português demonstre junto do Governo brasileiro a intenção de recuperar o controlo público maioritário da empresa. Ao mesmo tempo, deve desenvolver, no ministério da Economia, as medidas adequadas para atingir aquele objetivo, acrescentou.

A nacionalização da PT é a via que o PCP defende para «recuperar o controlo público da empresa», visando «desenvolver a capacidade científica, garantir um serviço de telecomunicações de qualidade e universal e criar e promover emprego».