A venda da PT esteve em debate, esta sexta-feira, na Assembleia da República, com a maioria PSD/CDS-PP a considerar «irresponsáveis» e «chocantes» as propostas de toda a oposição para salvaguardar o «interesse estratégico da PT», empresa que os socialistas classificaram como «uma jóia da República portuguesa». Os projetos de resolução acabaram por ser chumbados pela maioria.

No debate em plenário do projeto de lei do BE e dos projetos de resolução do PS e do PCP, os partidos que compõem o Governo não pouparam críticas aos diplomas. O deputado social-democrata Afonso Oliveira disse que a proposta de nacionalização da PT apresentada pelos bloquistas e pelos comunistas «não faz sentido», porque se trata de uma empresa privada.

«São propostas que só surgem por uma opção ideológica, não incorporam nada o tempo em que vivemos, nem o mundo em que vivemos»


Quanto ao diploma do PS, que recomenda ao Governo que «use dos mecanismos de que dispõe, através das entidades com participações na PT SGPS, para defesa da PT Portugal, dos trabalhadores e das caraterísticas que fizeram desta empresa uma referência internacional», Afonso Oliveira classificou-o como «quase chocante». «É muito pior do que nada», sustentou, questionado a bancada socialista sobre o que deveria ter feito o Governo quando uma empresa que é privada perde valor em bolsa.

Pelo CDS-PP, o deputado Hélder Amaral corroborou as críticas da bancada social-democrata. Disse que a única coisa que o Governo pode fazer no caso da PT é garantir que o processo seja transparente, já que a responsabilidade do que acontece à empresa é dos accionistas. Hélder Amaral deixou igualmente duras críticas ao PS:

O diploma é «um tesourinho deprimente» e o projeto do BE «uma proposta no mínimo irresponsável, ultrapassada na história e no tempo». «É irresponsável apresentar soluções sem dizer quanto custa»


Antes, na apresentação do diploma do BE, a deputada Mariana Mortágua reconheceu que se trata de «uma proposta radical, que vai à raiz do problema, não tem medo de assumir o que é importante para o país». «Chega de subserviência aos mercados financeiros», defendeu, lembrando que a Portugal Telecom é uma empresa estratégica, que nunca devia ter sido privatizada.

O deputado do PCP Bruno Dias recordou a «forma vergonhosa» como os sucessivos Governos têm «assistido de camarote» aos problemas da PT. «É urgente a suspensão de qualquer negócio», argumentou, lembrando que mesmo que se confirmem as notícias que dão conta da venda da PT à Altice, esse «negócio que terá de ir à Assembleia geral e ainda será possível tomar uma posição». E reforçou:

«O Estado não pode ter controlo público só quando está na hora de salvar os bancos e os banqueiros».


Na apresentação do projeto de resolução do PS coube ao deputado Rui Paulo Figueiredo, que classificou a PT como «uma jóia da República portuguesa» e lamentou o «puro preconceito ideológico da maioria PSD/CDS-PP» contra a gestão pública e a presença do Estado em setores estratégicos do país.