Notícia atualizada às 17:35

O Governo português dá prioridade à resolução de «todas as perturbações que possam existir» na relação entre Portugal e Angola, que pretende manter e aprofundar, afirmou esta quinta-feira o ministro da Presidência.

Luís Marques Guedes assumiu esta posição durante a conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, depois de questionado sobre as declarações do ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, segundo as quais o Governo angolano deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, elegendo como alternativas a África do Sul, a China e o Brasil.

«Eu já tive oportunidade no briefing do Conselho de Ministros da semana passada de dar aquele que é o entendimento que o Governo tem relativamente às relações que Portugal mantém com Angola, que são relações especiais, relações que têm um histórico e uma afetividade particular entre os dois povos, o povo português e o povo angolano, e que devem ser preservadas e que são prioritárias no âmbito de resto daquilo que são as prioridades de todas as relações de Portugal e do Estado português com os estados de língua oficial portuguesa», respondeu o ministro da Presidência.

Luís Marques Guedes afirmou que «a intenção do Governo português é a intenção natural de, não só manter como aprofundar permanentemente essas relações no âmbito da comunidade de países de língua oficial portuguesa, quer com Angola, quer com os restantes países de língua oficial portuguesa».

«Todas as perturbações que pontualmente possam existir relativamente à excelência dessas relações são perturbações que devem ser tratadas com a maior das prioridades e resolvidas como são sempre resolvidas as questões que são de interesse nacional. E claramente que as relações entre os estados da comunidade de língua portuguesa são questões prioritárias para o interesse nacional e são relações de excelência que o Estado português procurará sempre manter, resolvendo todas as questões que pontualmente possam surgir no percurso do aprofundamento dessas relações», acrescentou.

Também fonte oficial do ministério dos Negócios Estrangeiros reafirmou à Lusa a sua «disponibilidade para reforçar» a cooperação com Angola e disse que o Governo português espera ser acompanhado nesse trabalho pelas autoridades angolanas.

Em resposta a perguntas enviadas pela agência Lusa, fonte do ministério de Rui Machete afirmou que «o Governo português prosseguirá o seu trabalho com vista ao reforço dos vínculos entre Angola e Portugal».

«Reafirmamos a disponibilidade para reforçar a nossa cooperação, e esperamos que as autoridades angolanas nos acompanhem», refere o MNE, que sublinha que «a cooperação política constitui um esforço necessariamente conjunto».

Sobre as declarações desta quarta-feira à noite do ministro das Relações Exteriores angolano, Georges Chicoti, o Executivo português afirma ter tomado conhecimento das mesmas «com estranheza».

«O Governo português não alterou, nem altera, o seu empenhamento em continuar a desenvolver e a aprofundar o bom relacionamento com o Estado e o Governo angolanos, fundado em laços históricos que unem os dois povos e nos múltiplos interesses políticos, culturais e económicos que têm em comum», acrescenta a nota do MNE enviada à Lusa.

A mesma fonte oficial do MNE refere ainda que «muitos angolanos vivem e trabalham em Portugal e muitos portugueses vivem e trabalham em Angola, contribuindo para o progresso de ambos os países».

Na quarta-feira à noite, George Chikoti declarou, em entrevista à Televisão Pública de Angola, que o Governo angolano deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, elegendo África do Sul, China e Brasil como alternativas, e colocou em dúvida a realização da primeira cimeira luso-angolana.