O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, considerou, esta segunda-feira, no concelho de Sintra, que os candidatos independentes «são o suplemento de alma» dos partidos e que nas próximas eleições vão aumentar as candidaturas vencedoras.

«Espero cumprir aquilo que prometi, estou a tentar fazê-lo todos os dias, e este exemplo vai demonstrar que é possível», afirmou o autarca independente, por ocasião da inauguração da sede de candidatura do movimento independente Sintrenses com Marco Almeida, em Agualva.

O principal vencedor independente nas últimas autárquicas salientou que, se conseguir «vencer os receios» daqueles que não acreditavam na capacidade da sua candidatura para governar o Porto, será possível replicar o sucesso nas próximas eleições.

«Apesar de estar a trabalhar naturalmente para os meus concidadãos, e fazer aquilo que o Marco [Almeida] diz de andar na rua todos os dias, sei também que aquilo que eu puder fazer no Porto de bom vai ter impacto também aqui», admitiu Rui Moreira.

«Temos de acreditar que chegou o momento da cidadania, com muito respeito pelo trabalho dos partidos», frisou o ex-presidente da Associação Comercial do Porto, que deixou o repto: «Nós somos o suplemento de alma dos partidos».

Marco Almeida, que concorreu como independente depois da escolha de Pedro Pinto para liderar a candidatura do PSD à Câmara de Sintra, perdeu por apenas 1700 votos para o candidato do PS, Basílio Horta, elegendo também quatro vereadores.

Após o encontro com Rui Moreira, António Carmona Rodrigues e António Capucho na pastelaria Piriquita, no centro histórico de Sintra, Marco Almeida deslocou-se a Agualva para inaugurar a sede da candidatura às autárquicas de 2017.

O espaço escolhido situa-se «na zona urbana, onde os resultados foram mais frágeis, porque aqui a relação entre as pessoas é mais distante», justificou o autarca, que foi vice-presidente da câmara durante três mandatos.

«Vale a pena fazer política à margem dos partidos, embora os partidos sejam necessários para o funcionamento da nossa democracia, mas a democracia também não se esgota nos partidos e nós fomos o reflexo desse sentimento», notou Marco Almeida.

O autarca valorizou o papel dos «cidadãos anónimos» que apoiaram a sua candidatura e deixou também uma palavra de encorajamento para «alguns funcionários e colaboradores da Câmara Municipal de Sintra que foram afastados das suas funções porque fizeram parte deste movimento».

O recandidato aproveitou ainda para agradecer a inspiração de António Carmona Rodrigues, que concorreu como independente à Câmara de Lisboa na sequência de um «golpe de Estado» no PSD.

António Capucho, eleito para a Assembleia Municipal de Sintra pelo movimento Sintrenses com Marco Almeida, cargo que tem vindo a ocupar e que lhe custou a expulsão do PSD, partido que ajudou a fundar, também foi saudado «por tudo o que fez neste país».

A sede de campanha, na Rua José Baltazar Bastos Costa, em Agualva, foi pequena para as dezenas de apoiantes, que acorreram ao apelo dos incentivos pintados nas paredes, nas citações de Miguel Torga: «Enquanto não alcances, não descanses».