O presidente da Câmara do Porto recusou hoje converter-se à “turismofobia”, assegurando que “o turismo não é um problema” e que “a habitação a preços compatíveis com os rendimentos das famílias” será uma das “grandes apostas“ do executivo.

“Não nos podemos deixar converter à turismofobia. Precisamos de garantir que a sua pegada não causa constrangimentos”, disse o independente Rui Moreira, reeleito a 01 de outubro para um segundo mandato com maioria absoluta, no discurso da cerimónia de tomada de posse dos órgãos autárquicos eleitos, que decorreu esta tarde no teatro Rivoli.

O autarca quer “garantir a permanência” da população na cidade, utilizando “os recursos gerados pela taxa turística para compensar a discrepância entre o preço de mercado e aquilo que a classe média pode pagar”, gerando um equilíbrio que, “pela dimensão da cidade, só se pode fazer através da densificação em zonas específicas”.

“Sei bem que este é um tema que preocupa alguns setores mais conservadores da cidade. A esses, gostaria de dizer que não será por isso que a cidade perde a sua alma. Não a perdeu na segunda metade do século XIX, quando se densificou; não a perderá neste nosso tempo. O Porto não se pode enamorar num idílio nostálgico e tradicionalista”, frisou.

De acordo com Moreira, “a habitação a preços compatíveis com os rendimentos das famílias será uma das grandes apostas deste executivo”.

Quanto ao modelo de habitação social, Moreira disse que “será continuado”, mas “já não é suficiente” e “precisa de se adequar aos novos tempos”.

O autarca referiu, em concreto, as “crescentes necessidades de uma população sénior que continuará a aumentar” e que deve ter “condições de conforto para poder viver o mais tempo possível autonomamente”.

A resposta “inevitável” é “a criação de residências para seniores, com um conjunto de valências coletivas, defendeu.

Para o presidente da Câmara, “o turismo, que tanto tem feito para mudar o rosto da cidade, não pode ser visto como um problema, porque não é, em si, um problema”.

“Iremos continuar a regular as suas atividades de tal forma que o seu impacto na cidade seja virtuoso e compatível com os justos anseios dos portuenses que não querem abdicar do seu conforto e qualidade de vida”, afirmou.

Isto “é possível e está ao nosso alcance”, frisou.

Também na mobilidade a Câmara pretende “ir mais além”, até porque se trata de uma área em que “os investimentos necessários demorarão muito tempo e dependem em larga medida do Orçamento de Estado”, como acontece com a expansão da rede de Metro, que “apenas produzirá efeito findo o mandato”.

“Resta-nos pois, sermos mais inventivos”, notou Moreira, indicando a necessidade de “novos parques de estacionamento” e “de articular políticas de mobilidade com os municípios vizinhos, o que já está em curso”.

Moreira defendeu ainda a necessidade de “manter as boas contas, de tratar do ambiente, de garantir a segurança, de contribuir para um justo equilíbrio social, de assegurar que a cidade não é capturada por interesses individuais, que pode crescer sem perder o seu caráter, continuando a ser motivo de orgulho para os seus”.

“Depois de quatro anos em que demonstramos que a fruição comum do espaço público era possível, mesmo quando alguns entenderam que era só festa - como se a felicidade comum não fosse um ativo - queremos apostar mais no desporto e na fruição dos espaços livres”, acrescentou.

A cultura “continuará” como “a grande aposta” porque “é o mais importante dos cimentos, é o maior instrumento para o desenvolvimento de uma sociedade que se quer culta, madura e exigente”, vincou.

“O Porto, que foi sufragado, é por aqui. É este Porto reconquistado, feliz, vibrante, confiante que hoje temos, que queremos afirmar para o futuro. Um futuro que merecemos, que não tememos”, concluiu.