O social-democrata Luís Filipe Menezes culpa o «momento devastador para a imagem» atual do partido em que milita, o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio (PSD) e o líder do CDS/PP, Paulo Portas, pela derrota nas autárquicas portuenses.

Num e-mail a que a Lusa teve hoje acesso, o candidato derrotado nas eleições para a Câmara do Porto critica Rio, os seus vereadores e a «máquina» autárquica de «tudo» ter feito para derrotar» a sua candidatura, censura a «verdadeira cruzada» travada pela comunicação social, o «CDS institucional e o seu líder» e até a crise que afeta a imagem do PSD.

«Foi uma luta contra um momento político, económico e social devastador para a imagem do partido em que milito há mais de 30 anos. Contra largos setores da comunicação social e da opinião publicada, que desenvolveram uma verdadeira cruzada contra a possibilidade do Porto mudar da forma que preconizávamos», justifica Menezes, numa mensagem de correio eletrónico enviada na terça-feira a militantes portuenses do partido, hoje divulgada pelo Diário de Notícias.

Numa mensagem em que agradece aos apoiantes e reconhece «responsabilidades pessoais», o social-democrata alerta ainda para a luta «contra um presidente de Câmara em funções [Rui Rio], ainda por cima militante da mesma maioria [PSD], que tudo fez, com os seus vereadores e máquina da câmara municipal, para derrotar» a sua candidatura.

«Foi uma luta contra uma querela política-jurídica, que só foi esclarecida escassos 25 dias antes do ato eleitoral! Contra alguns, poucos, mas mediaticamente protegidos, conhecidos e influentes militantes do PSD. Contra o CDS institucional e o seu líder, parceiros empenhados da coligação em funções governativas no país e em Gaia», observou Menezes.

Na mensagem, Menezes destaca que o projeto por si apresentado para a cidade era, «sem maniqueísmos auto convencidos, o que melhor serviria Portugal nesta complexa encruzilhada histórica» e sustenta que o mesmo «não vai morrer».

«O repovoamento da cidade, o combate às suas assimetrias sócio económicas, a imposição internacional da Marca Porto, a internacionalização da sua Universidade, a perenização de uma grande cidade de Turismo Cultural e de Congressos, a aposta na Cultura e nos seus agentes, a capacidade autónoma para captar investimento e crescer, a definição do conceito da cidade região cuja dimensão vai de Coimbra ao Cantábrico, constituíam traves mestras de uma ideia que não vai morrer», sustenta.

Explicando que «um mês após a realização das eleições autárquicas é o momento» de «formalmente agradecer a generosidade e a solidariedade» dos que o «acompanharam durante um longo ano de combate político¿, Menezes observa ter perdido «uma importante batalha», mas sustenta ter desenvolvido «um enorme exercício de militância cívica».

«Foi um combate difícil, o que se conhecia de antemão», observou.

Menezes avisa que as responsabilidades imputadas a outros não aligeiram as suas ¿responsabilidades pessoais¿, que diz não alienar e assumir por inteiro».

«Conhecia-as e pensei que, em conjunto, as superaríamos», justificou.

O social-democrata reconheceu a «campanha ativa e forte e, principalmente, um programa globalmente coerente, ficam como legado importante de um magnífico percurso».

«Assim não o acharam os eleitores cuja soberania nunca contestamos e muito respeitamos. Cabe-nos desejar muita boa sorte aos eleitos para governar, cabe-nos ser uma oposição responsável e construtiva», conclui.

Candidato pela coligação liderada pelo PSD, Luís Filipe Menezes ficou em terceiro lugar nas autárquicas, com 21,06% dos votos, elegendo três vereadores.

O independente Rui Moreira conquistou 39,25 % dos votos (seis eleitos), contra 22,68% do PS (três eleitos).