José Sócrates encerrou a exposição, preparada pela NAER SA, esta terça-feira, na Gare Marítima de Alcântara, com muitas certezas e conclusões. Sob o lema «Lisboa 2017, um aeroporto com futuro» foram apresentados os estudos realizados nas últimas três décadas, e que levaram o Governo a escolher a Ota para construir o Novo Aeroporto de Lisboa.

«O Governo pretendeu nesta sessão apresentar os estudos técnicos e económicos que levaram à sua decisão», explicou José Sócrates, no início do seu discurso. É o fim das críticas de quem diz que não se pode pronunciar por não ter estudos», garante, porque ficaram criadas «condições para um debate sério e transparente».

O desafio agora, para os críticos, é apresentar soluções e estudos para contradizer as firmes convicções deste Executivo: «Não é só o Governo que tem de apresentar estudos. Também não está isento quem acha que esta não é uma boa decisão. Deve apresentar alternativas».

Recuando à década de 40, Sócrates usou como comparação o debate gerado, na época, em torno da localização do aeroporto da Portela. «Quando se discutia onde deveria ser o actual aeroporto, duas hipóteses eram avançadas: a Alameda da Universidade e a Portela. Muitos disseram que a Portela era um projecto megalómano e que ficava demasiado longe da cidade». Neste regresso ao passado, Sócrates tentou minimizar a questão da distância que separa Lisboa da Ota, alegando que «é preciso olhar além do curto prazo» e ter «visão de futuro».

Para reforçar a certeza que imprimiu ao seu discurso, o primeiro-ministro contou com a presença de vários membros do Executivo socialista: Mário Lino regressou à Gare Marítima de Alcântara, após a inauguração dos trabalhos logo pela manhã, os ministros das Finanças e Economia marcaram presença, tal como a secretária de Estado dos Transportes e o secretário de Estado das Obras Públicas.

E o Montijo?

Durante a tarde, numa sessão que se prolongou pelo dia todo, foram apresentados mais estudos financeiros e público pôde debater com os especialistas convidados. O tempo do debate acabou por ser pouco para todas as questões colocadas: desde o turismo, passando pela viabilidade das ligações ferroviárias, pelo shutle que vai ligar a Ota à Gare do Oriente, os Estudos Preliminares de Impacte Ambiental, as restrições do espaço aéreo em Lisboa, entre muitas outras que o tempo previsto não permitiu prolongar.

Murmurada nos corredores e durante intervalos dos trabalhos, a pergunta mais insistência acabou na mesa que presidia à sessão: «E o Montijo?».

Rui Veres, administrador da ANA e da NAER SA, teve alguma dificuldade em justificar o desaparecimento da opção Montijo nos últimos anos e admitiu que, em 1994, se ponderou e estudou a opção, considerando um movimento de 25 milhões de passageiros.

Segundo explicou Rui Veres, o estudo terá revelado que do ponto de vista económico o investimento seria menos volumoso, mas continha problemas ambientais. E que «a sua localização geográfica muito dificilmente permitiria a construção de um aeroporto com as condições do que será feito na Ota». Além disso, não mostrava capacidade para sustentar as actividades que se desenvolvem em redor dos aeroportos.

No final, José Sócrates justificou a opção do Governo: «A inexistência de dúvidas de que a Portela vai ficar fortemente condicionada na sua operacionalidade dentro de uma década» e o facto de se revelar prejudicial «o funcionamento de dois aeroportos ao mesmo tempo na cidade».

O primeiro-ministro explicou ainda que os estudos «demonstraram que este é o melhor projecto» e que financiaramente verifica-se «apenas um investimento de 10 por cento do total do custo» com dinheiros públicos.

No final da apresentação, nem todos ficaram convencidos.