O ministro das Obras Públicos considera que o projecto se encontra «na fase de escolha política» e afirmou-o no dia em que o Executivo pretende justificar todas as decisões relacionadas com o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). «Lisboa 2017, um aeroporto com futuro» é o lema da apresentação que decorre esta terça-feira, na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa.

Como o próprio referiu, o dia será dedicado «à fundamentação da decisão política e estratégica», alertando que a escolha de outro local que não a Ota poderia inviabilizar o financiamento comunitário do projecto.

«Mesmo que o Governo pudesse escolher outra localização, poderia correr o risco de inviabilizar os fundos comunitários», disse, reportando-se aos estudos de impacte ambiental que mostram que a Ota oferece as melhores condições face à opção Rio Frio.

O ministro lembrou que o novo aeroporto de Lisboa, orçado em três mil milhões de euros, faz parte dos projectos da rede transeuropeia de transportes, que prevê a atribuição de fundos comunitários e a obtenção de empréstimos junto do Banco Europeu de Investimentos (BEI) em condições vantajosas, para os projectos considerados prioritários.

«Uma das condições previstas para atribuição dos fundos comunitários é que a construção comece antes de 2010», lembrou o ministro.

A aposta no novo aeroporto justifica-se pela «preparação do país para o futuro com a resposta adequada ao aumento de tráfego», mas também pelas «conexões e interfaces com transportes aéreos em Lisboa». Mário Lino não esquece ainda «a consolidação e reforço da TAP, ressalvando que o país não pode «ficar à margem deste desenvolvimento, sob pena de se remeter «à condição marginal e deprimida da Península Ibérica».

E para apoiar a decisão política, o ministro referiu a necessidade de existência de um espaço com dimensões e características suficientes para o aumento da capacidade aérea, já que «um aeroporto não é um mero local de aterragem e descolagem, mas um centro de serviços, com criação de emprego e riqueza».

Relembrando os problemas de segurança na Portela, devido à sua localização, Lino garante ainda que a Portela não pode coexistir com outro aeroporto nas proximidades, uma vez que essa opção poderia inviabilizar a utilização de espaços aéreos próximos. Apoiando-se em estudos desenvolvidos ao longos dos últimos anos e que «determinaram duas localizações finais: Ota e Rio Frio», o ministro refere exemplos europeus de novos aeroportos que se situam a quarenta quilómetros das cidades principais.

Mário Lino defendeu o desenvolvimento de estudos para fundamentarem todas as fases do projecto e apresentou duas datas: 2010 e 2017 - do início à conclusão do projecto da Ota. Para o ministro das Obras Públicas é claro que o «novo aeroporto não prejudica os demais aeroportos do continente» e que existe tempo para acautelar a resolução «dos aspectos mais negativos» da plataforma.

Talvez para garantir que o Executivo não volta a ser acusado de «esconder» estudos, Mário Lino garantiu que a partir de agora a «NAER SA manterá o seu site actualizado» com os estudos e pareceres conforme foram sendo desenvolvidos.

À saída, Mário Lino, confrontado pelos jornalistas sobre o que poderia ser feito nos terrenos da Portela após o seu fecho, respondeu que a questão ainda será falada «com todas as partes interessadas» como a Câmara Municipal de Lisboa, optando por não se alongar sobre o futuro da zona do actual aeroporto.

E como não é possível agradar a «gregos e troianos», o ministro referiu ainda que «nenhum localização seria consensual. Qualquer que fosse a escolha nunca receberia todos os consensos».

O primeiro-ministro, José Sócrates, também estará presente na Gare Marítima de Alcântara e irá ser o responsável pelo encerramento da sessão.