O XXV Congresso do CDS-PP arranca, este sábado, e o presidente centrista e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, é o único candidato assumido à liderança, podendo ser desafiado por Filipe Anacoreta Correia.

Os trabalhos do Congresso, que decorre em Oliveira do Bairro até domingo, abrem pelas 11:00, estando prevista uma intervenção do líder para cerca das 12:30. À tarde serão discutidas as nove moções de estratégia globais, cuja votação está prevista para as 00:00.

Entre as moções de estratégia global inclui-se a de Filipe Anacoreta, do AR, que não exclui levá-la a votos, disputando a liderança, já que a reunião magna centrista marca o regresso aos congressos eletivos.

O antigo vice-presidente de Paulo Portas Luís Nobre Guedes é o nome apresentado pela tendência Alternativa e Responsabilidade (AR) para liderar uma lista ao Conselho Nacional, mas o ex-ministro centrista disse à Lusa que só avança se o atual presidente da mesa daquele órgão, António Pires de Lima, não se mantiver, um cenário ainda em aberto.

O Congresso foi o momento escolhido por Paulo Portas para esclarecer a crise política de julho de ano passado, em que chegou a apresentar a demissão, passando depois de ministro dos Negócios Estrangeiros a vice-primeiro-ministro, reforçando os poderes do CDS-PP no Governo, que passou a contar com António Pires de Lima como ministro da Economia.

O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, estará presente no encerramento da reunião magna centrista, que chegou a estar marcada para julho do ano passado e foi depois desconvocada devido à crise política do verão.

A entrada de João Almeida para o Governo, em que assumiu recentemente as funções de secretário de Estado de Administração Interna dita uma mudança de porta-voz do partido.

Fontes centristas ouvidas pela Lusa indicam como mais prováveis os nomes de Filipe Lobo D'Ávila e Cecília Meireles para o cargo.

As eleições europeias e uma eventual coligação com o PSD deverá ser um dos temas mais debatidos no Congresso, com o líder, Paulo Portas, a defender essa aliança, que não é dada como certa na moção dedicada à Europa subscrita pelo eurodeputado Nuno Melo, sendo que também a única tendência crítica da direção, o movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), considera que a matéria está «em aberto».

O calendário dita que este Congresso será o último antes das eleições legislativas, mas essa possibilidade não está totalmente encerrada, tendo Paulo Portas afirmando recentemente que o Conselho Nacional é um órgão «soberaníssimo» para decidir sobre uma eventual coligação para as legislativas, podendo convocar um referendo interno ou um novo congresso.

O Congresso discutirá uma única proposta de alteração dos estatutos, apresentada por Paulo Portas, para que seja criada a estrutura dos Autarcas Populares e que seja aumentado o número de vogais da Comissão Política e do Conselho Nacional, um acréscimo que é justificado com o aumento do número de militantes ativos no partido, 31 mil.