A comissão executiva do CDS-PP reúne-se esta quarta-feira, um dia depois de Paulo Portas ter apresentado a sua demissão ao primeiro-ministro, que, no entanto, recusou propor, para já, a exoneração ao Presidente da República.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou na terça-feira o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Em comunicado, emitido a meio da tarde, Paulo Portas referiu que a decisão é «irrevogável» e justificou-a com a discordância na escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da saída de Vitor Gaspar, na segunda-feira.

«A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.(...) Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha [de Maria Luís Albuquerque]. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um ato de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível», afirmou Paulo Portas.

Na sequência desta demissão, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez uma declaração ao país às 20:00, na qual garantiu que não se demite e onde disse ter recebido com surpresa o pedido de demissão de Paulo Portas.

«Não me demito. Não abandono o meu país. Abraço, como sempre abracei, o serviço ao meu país com a mesma dedicação e com a mesma esperança», afirmou Passos Coelho, numa declaração feita na residência oficial de São Bento, em Lisboa.

Passos Coelho disse ainda que «seria precipitado aceitar o pedido de demissão» de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração ao Presidente da República do ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantando que «nas próximas horas» vai procurar «junto do CDS-PP clarificar e garantir todas as condições de estabilidade para o Governo e para o país».

A comissão executiva é constituída pelo presidente do partido, os vice-presidentes Artur Lima, Assunção Cristas, Teresa Caeiro, Nuno Magalhães e Nuno Melo, pelo secretário-geral, António Carlos Monteiro e pelo coordenador autárquico, Domingos Doutel. Álvaro Castelo Branco, Filipe Lobo D'Ávila, Miguel Morais Leitão, Adolfo Mesquita Nunes e Diogo Feio são vogais.