O PS considerou, esta sexta-feira, que um debate televisivo em que participem simultaneamente representantes do PSD e do CDS é "batota", porque equivale a um jogo de futebol em que uma equipa joga com 11 e a outra com 22.

"O PS estará em todos os debates organizados de forma igualitária, ou seja, cada candidatura o seu representante", não podemos é estar como num jogo de futebol em que a nossa equipa tem 11 e a outra equipa tem 22, só falta comprar o árbitro", disse o secretário nacional socialista aos jornalistas, na sede do PS, em Lisboa.


Em causa está o número e o modelo dos debates televisivos na campanha para as próximas eleições legislativas, em que a coligação do PSD e CDS defende que os dois líderes devem estar nos debates com as restantes candidaturas, enquanto o PS considera que cada candidatura deve ter apenas um representante.

"Na realidade, toda a direita se juntou numa coligação para tentar travar a vitória do PS, e agora querem sol na eira e chuva no nabal. Querem debates entre as candidaturas, mas querem que a do PS tenha um representante e a candidatura da direita tenha dois representantes", sintetizou Porfírio Silva, concluindo: "Isto é batota".


O dirigente do PS criticou também o PSD e o CDS, argumentando que "quem recusou as propostas das televisões e limitar os debates é o PSD, quem quer fugir aos debates é o PSD" e sublinhando que "agora isto só serve para lançar a confusão, o doutor Paulo Portas está a ajudar o doutor Passos Coelho a tentar fugir aos debates, introduzindo uma confusão".

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Nas declarações aos jornalistas, Porfírio Silva criticou ainda aquilo que considerou ser a "utilização de meios oficiais para atacar o PS e fazer campanha eleitoral", exemplificando com ações de Paulo Portas e Assunção Cristas.

"Ainda ontem [quinta-feira] o doutor Paulo Portas num ato oficial no Ministério fez um ataque desbragado ao PS, [o que é] pura campanha eleitoral, e já hoje Assunção Cristas, deputada à Assembleia da República por Leiria, assumiu por duas ou três horas o papel de ministra para prometer a antecipação de subsídios a produtores de fruta no distrito por onde é candidata", disse Porfírio Silva.


A reação do dirigente socialista surge no mesmo dia em que a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) anunciou que sem a presença de Paulo Portas não participará no debate televisivo de 22 de setembro e que enviará o presidente do CDS-PP ao frente-a-frente com o secretário-geral do PCP.

"Face à recusa irredutível do PS e do PCP a que o CDS venha a participar em tal debate [de dia 22 de setembro] consideramos que não estão respeitadas as regras básicas de pluralismo para que estejamos presentes em qualquer modelo deste debate que não respeite a participação de todos os que tendo assento parlamentar desejem estar presentes, no respeito pelo estipulado no n.º 2 do Art.º 7º da Lei 72-A/2015, de 23 de julho", anunciaram em comunicado.