O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, reagiu esta noite, na RTP, à notícia de que seria suspeito no caso Monte Branco. O ex-governante considerou que a notícia tem uma «motivação criminosa», garantiu que não conhece os envolvidos e apelidou mesmo de «canalhice» a informação veiculada pela revista Sábado. A PGR já desmentiu que o José Sócrates esteja a ser investigado.

«O objetivo desta notícia não tinha outra motivação que não fosse uma motivação criminosa. Admitamos que pudesse ser verdade. Se fosse verdade, era absolutamente injusto porque eu não tenho capitais, nunca tive conta no estrangeiro, não conheço ninguém que costuma ser referenciado no caso Monte Branco. Isto é apenas uma operação de canalhice que visa difamar-me e que visa colocar-me num quadro geral de preocupação com Ricardo Salgado e o caso Monte Branco», disse José Sócrates em declarações na RTP.

A revista semanal Sábado revela na edição de amanhã que o ex-primeiro-ministro, José Sócrates, é um dos suspeitos no processo Monte Branco, atualmente em investigação. No entanto, a Procuradoria-Geral da República emitiu um comunicado em que esclare que o ex-primeiro-ministro não está a ser investigado.

«(...) Esclarece-se que José Sócrates não está a ser investigado nem se encontra entre os arguidos constituídos no Processo Monte Branco», lê-se na nota que não adianta mais pormenores.

Segundo a publicação, o Ministério Público estaria mesmo a ponderar uma detenção do ex-primeiro-ministro para prestar depoimento.

A Sábado avança que Sócrates estaria sob vigilância há vários meses e as autoridades já teriam mesmo quebrado o sigilo bancário e fiscal do ex-primeiro-ministro.

Ainda segundo a revista semanal, existiriam outros suspeitos, nomeadamente, o primo que apareceu no caso Freeport, José Paulo Bernardo, e o amigo que comprou as casas da mãe de José Sócrates, Carlos Manuel dos Santos Silva.

Esta quarta-feira a TVI confirmou que elementos do DCIAP efetuaram buscas na sede da empresa Rioforte, em Lisboa, também no âmbito da operação Monte Branco, como confirmou a Procuradoria-geral da República, em comunicado.

A operação Monte Branco está relacionada com um alegado esquema de fuga ao fisco e branqueamento de capitais através de um sociedade suíça de gestão de fortunas detida por Michel Canals e Nicolas Figueiredo, antigos quadros do banco suíço UBS, além de Álvaro Sobrinho, presidente não executivo do BES Angola.

Na passada quinta-feira, Ricardo Salgado foi detido e constituído arguido no âmbito do mesmo processo.

A Rioforte apresentou na passada terça-feira um pedido de falência no Luxemburgo, por «não estar em condições de cumprir com as obrigações decorrentes de determinadas dívidas».