Notícia atualizada às 00:36

O ex-Presidente da República Mário Soares considerou nesta quinta-feira que Portugal está a caminho de uma nova ditadura, dando como exemplo o que se está a passar esta noite com agentes de forças policiais em frente ao parlamento.

Mário Soares fez esta afirmação logo na abertura da sua intervenção na conferência «Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado social», em que também acusou o Presidente da República, Cavaco Silva, de ter uma «conduta inaceitável», ao não respeitar a Lei Fundamental.

«Estamos a caminho de uma nova ditadura. Foi o que se passou com os reitores das universidades e dos politécnicos. A violência está à porta. É o que se está a passar esta noite com as polícias», declarou o ex-chefe de Estado.

Para o ex-presidente da República, «a austeridade está na origem de todos os males».

VÍDEO: «É preciso ter a consciência de que a violência está à porta»

VÍDEO: «É odiado e vaiado pela grande maioria dos portugueses»

O ex-chefe de Estado Mário Soares defendeu novamente a demissão do Presidente da República e do Governo, dizendo que o devem fazer enquanto é tempo de «irem para suas casas pelo seu pé» e evitarem «uma onda de violência».

Mário Soares fez duras acusações a Cavaco Silva, dizendo que «o senhor Presidente da República, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, não a está a respeitar, o que é inaceitável, só protegendo o seu próprio partido [o PSD] e o seu aliado de circunstância [o CDS-PP]».

«Está longe de ser o Presidente de todos os portugueses, sendo odiado e vaiado pela grande maioria dos portugueses, que estão a viver terrivelmente. Por isso, tem medo de sair à rua e medo de falar», vincou.

De acordo com Mário Soares, «é preciso ter a consciência de que a violência está à porta» e «é isso que é necessário evitar».

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«Com um Governo completamente paralisado e sem rumo, que não dialoga com o povo, e um Presidente da República que só pensa em manter o seu partido, estamos todos dias a criar o desespero e a violência. É por isso que digo que o Presidente e o Governo devem demitir-se», declarou o fundador do PS, com a plateia a gritar «demissão, demissão».

Mário Soares disse que é tempo de se demitirem «enquanto ainda podem ir para as suas casas pelo seu pé, caso contrário serão os responsáveis pela onda de violência que aí virá e que necessariamente os atingirá».

«Ninguém aceita hoje a austeridade, que está na origem de todos os males. A troika é quem manda em Portugal. Que vergonha para um Estado que descobriu o mundo e que tem as suas fronteiras há mais de nove séculos», disse, recebendo nova prolongada ovação.

Neste contexto, Mário Soares reforçou o seu apelo a Cavaco Silva: «Senhor Presidente demita-se, uma vez que não cumpre a Constituição».

«Por partidarismo, este Presidente não é capaz de demitir este Governo incompetente, que está a destruir todos os dias este país. Não desgrace mais Portugal senhor Presidente da República».