O candidato às eleições primárias do PS António José Seguro reiterou esta segunda-feira que «ter coragem não é avançar quando o tempo está de feição», rejeitando que o país seja «telecomandado pelo Terreiro do Paço, sempre pelos mesmos».

Na véspera do primeiro debate com António Costa e não seguindo os conselhos «médicos e de alguns amigos», António José Seguro decidiu comparecer no jantar em Valongo com apoiantes, apesar de estar afónico e com dificuldades visíveis em discursar, tendo até brincado com o facto de ter levado à letra a frase que disse: «falarei até que a voz me doa».

Num discurso em que optou por dizer «coisas simples», o secretário-geral do PS evidenciou a separação da política dos negócios e foi perentório: «estamos aqui para dizer que ter coragem não é avançar quando o tempo está de feição, é avançar em todos os momentos e particularmente nos momentos difíceis».

«Estamos aqui para afirmar que não podem ser sempre os mesmos a pôr e a dispor quando lhes apetece e como lhes apetece, só quando lhes dá jeito», sublinhou.

Seguro tem a firme intenção de criar um «país que não seja telecomandado pelo Terreiro do Paço, sempre pelos mesmos, que se habituam a pôr e a dispor mesmo quando o Governo muda de partido».

«Estamos aqui para dizer que Portugal não é só uma certa Lisboa e que o resto é paisagem. Estamos aqui para afirmar todo o país. Não têm que ser sempre os mesmos no Terreiro do Paço a decidir o que é melhor para Portugal», enfatizou.

O candidato às eleições primárias do PS deixou um apelo aos socialistas, simpatizantes e militantes do PS para que digam «aos cínicos que se pode optar pelos valores e que nem sempre os interesses vencem, bem pelo contrário, merecem ser vencidos».

Antes do discurso de Seguro subiu ao púlpito o eurodeputado e cabeça de lista pelo PS nas últimas eleições europeias, Francisco Assis, que aproveitou o momento para explicar os motivos do apoio àquele contra o qual disputou a liderança em 2011, sendo um deles o facto de ser a favor da estabilidade.

Seguro considerou que a disputa da liderança com Assis foi «democrática e aberta» e sempre pautada pelo respeito, considerando que o eurodeputado foi «um homem de uma enorme coragem quando há três anos, em momentos muito difíceis, se disponibilizou para liderar o PS».

O secretário-geral do PS deixou ainda rasgados elogios a Assis, por durante este tempo não ter ido «para a retaguarda à espera que as coisas corressem mal» e estar sempre ao lado do secretário-geral, garantindo que hoje voltaria a fazer a mesma escolha para cabeça de lista do PS às eleições europeias.

Francisco Assis considerou que se os líderes partidários estiverem permanentemente sujeitos a um escrutínio, não haverá «lideranças suficientemente fortes», defendendo que o PS não pode «correr esse risco».

O socialista apoia Seguro porque não encontra «as tais razões extraordinárias para interromper» o ciclo de liderança, recordando que o PS ganhou as duas eleições - autárquicas e europeias - que travou enquanto Seguro esteve à frente do partido e confessando que às vezes tem dificuldades para explicar no Parlamento Europeu o que se passa no interior do PS.