O candidato às primárias do PS António José Seguro disse esta sexta-feira noite de não se lembrar de uma «preparação de programa político tão atempadamente» como aquele que protagoniza, pois «não quer ser um Governo de turno».

«Não me lembro de ter havido uma preparação de programa político tão atempadamente e com o envolvimento de tanta gente. Para dar um sinal claro aos portugueses que o próximo Governo não pode ser um Governo de turno», disse Seguro.

O também secretário-geral dos socialistas vincou que «o PS não pode ser Governo nas próximas eleições sem merecer a confiança dos portugueses» ou apenas «porque os que lá estão não merecem a confiança e estão a cair de podres».

«Nós temos de ser uma alternativa. Chegar ao poder não é um fim em si mesmo. É um meio para concretizar um projeto. Temos de uma vez por todas de fazer uma separação entre política e negócios. Uma coisa é a vida pública, outra são os interesses por mais legítimos que sejam», declarou.

Seguro falava num encontro com militantes e simpatizantes, na freguesia de Campanhã, no Porto, onde fez um discurso marcado por críticas ao atual Governo e centrado na questão da dívida pública, mas sem deixar, ainda que indiretamente, de deixar provocações ao seu adversário nas primárias de setembro.

«Nenhum candidato a primeiro-ministro pode dizer que a dívida pública não é um problema. Isso é de um enorme irrealismo. É não conhecer a realidade de um país. Eu não digo que as finanças devem determinar a política. Agora a política não pode ignorar as finanças públicas», referiu Seguro.

Para Seguro «um dos erros mais graves» cometido pelo Governo PSD/CDS-PP foi «decidir que o país devia empobrecer»: «Este Governo de Direita acredita que o Estado deve ser é pequenino, muito pequenino e que cada português deve ficar entregue à sua sorte», criticou.

«O país do nosso ideal não é um país em que cada um trata de si. É um país onde todos tratam de todos e ninguém fica nas traseiras da vida, na valeta da estrada. É por isso é que o slogan deste projeto é Avançamos Juntos», acrescentou.

Para resolver o problema da dívida pública, Seguro avançou com um projeto para a Europa, lembrando que a Zona Euro, em 18 países, tem 15 com «uma dívida superior a 60% do Produto Interno Bruto».

«Defendemos que se crie um fundo europeu para gerir essa dívida pública acima dos 60%. Não é para que sejam os europeus a pagar a nossa dívida. Nós queremos pagar. Somos gente honrada. Se esse fundo gerir uma parte da dívida, como a Europa não tem dívida pública, pagamos menos juros. Pagar menos juros é diminuir o défice. Diminuir o défice é diminuir os sacrifícos dos portugueses», como reporta a Lusa.

Por fim, o candidato socialista às eleições de 28 de setembro, sublinhou que «hoje as pessoas querem participar», pois «podem não querer ser candidatos, presidentes de junta, membros de Governo, mas querem participar: "Esta coisa da política ser preparada nos círculos fechados dos Partidos acabou», concluiu.

Isto numa sessão em que o líder parlamentar socialista Alberto Martins, presente na reunião, disse que o PS teve a «maior vitória de sempre» nas últimas autárquicas e uma «vitória consistente» nas Europeias, defendendo que António José Seguro tem «legitimidade para ser o próximo candidato do PS a primeiro-ministro».