O secretário-geral do PS insistiu hoje que o seu partido apresentará a lista europeia «no tempo adequado», recusando-se a fazer mais comentários sobre uma matéria alvo de críticas por parte de António Costa e Francisco Assis.

«O PS apresentará as suas listas no tempo adequado e não tenho mais nada a dizer», declarou António José Seguro, depois de ter conversado cerca de 30 minutos com o ex-líder parlamentar socialista Francisco Assis, que critica a demora deste partido na escolha do cabeça de lista às eleições europeias.

Na quinta-feira, durante o programa «Quadratura do Círculo», na SIC-Notícias, também o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, defendeu que a direção do PS já deveria ter indicado qual o cabeça de lista para as eleições europeias.

«É evidente que o PS poderia estar a posicionar-se melhor para estas eleições. É difícil compreender não ter ainda um cabeça de lista escolhido e a forma como tem permitido desgastar nomes na praça pública como Jorge Sampaio, Carlos César ou Francisco Assis», disse António Costa.

Francisco Assis recusou-se também a esclarecer se está disponível para encabeçar a lista europeia do PS, alegando tratar-se de «questão menor», mas advertiu que o debate interno sobre nomes prejudica a discussão da substância política.

Francisco Assis falava aos jornalistas após ter estado reunido no parlamento com o secretário-geral do PS, António José Seguro, depois de na quinta-feira à noite, na TVI24, ter criticado a demora na definição do cabeça de lista socialista para as eleições europeias.

Interrogado se mudou de posição sobre a atuação do PS neste processo referente às eleições para o Parlamento Europeu, após a conversa com António José Seguro, Assis respondeu: «Não mudo assim facilmente de ideias em meia hora. Não mudei as minhas ideias», frisou.

«Não vou fazer nenhuma consideração sobre a minha disponibilidade para liderar ou integrar a lista, porque seria alimentar uma polémica. Nunca deixei de assumir as minhas responsabilidades e de dizer o que penso, só que o faço na altura que considero mais adequada», argumentou o ex-presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Neste contexto, Francisco Assis manifestou «descontentamento por se perder muito tempo a discutir quem está mais à esquerda ou à direita no partido, como se isso fosse uma questão de resolução simples, interessante ou importante».

«Acho que teria sido preferível que essa discussão não se tivesse travado. O que penaliza a nossa vida pública é que temos (por culpa de todos e também da comunicação social) a tendência para nos concentrarmos na discussão dos nomes. Seria mais interessante em associar essa discussão a um debate de projetos. Essa era a discussão que já se deveria estar a travar», sustentou.

Na perspetiva de Francisco Assis, «quando estiver resolvida a questão dos nomes [dentro do PS], haverá condições para travar o debate de fundo, definindo as nossas diferenças face aos outros partidos à esquerda e à direita e estabelecendo qual deve ser a relação de Portugal neste momento da União Europeia e face ao futuro do euro».

«Esse debate sobre a substância das coisas está a ser prejudicado pela discussão dos nomes. Por isso, havia vantagem em resolver rapidamente as coisas. Perturba-me que em Portugal haja uma tendência para fulanizar a discussão política em detrimento da análise da substância», vincou o ex-candidato à liderança do PS.